Uma apresentação musical que deveria celebrar a virada do ano em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, se transformou em um novo capítulo da disputa política local. A cantora Ludmilla, que se apresentou no evento oficial do Réveillon, foi alvo de acusações de vereadores do Partido Liberal (PL), que moveram uma denúncia ao Ministério Público do Rio (MPRJ). Do outro lado, uma vereadora do PSOL saiu em defesa da artista, rebatendo as críticas e também encaminhando uma representação à Justiça.
Acusações de apologia ao crime
Os vereadores Fernanda Louback e Douglas Gomes, ambos do PL, foram os primeiros a levantar a polêmica. Eles criticaram publicamente, principalmente em redes sociais, um trecho específico da performance de Ludmilla. No momento em que cantava a música "Verdinha", a artista declarou: “Vamos aproveitar que aqui é céu aberto porque agora está legalizado”.
Para os parlamentares, a fala constituiu uma clara apologia ao crime e ao uso de drogas. Eles destacaram que o espetáculo foi custeado com recursos da prefeitura de Niterói, o que, em sua visão, agrava a situação. Douglas Gomes formalizou a denúncia junto ao MPRJ no dia 6 de janeiro de 2026.
A defesa da artista e a contraofensiva política
A resposta às acusações partiu da vereadora Benny Briolly, do PSOL. Em um vídeo publicado em suas redes sociais – posteriormente compartilhado pela própria Ludmilla –, Briolly não apenas defendeu a cantora, mas atacou a motivação dos críticos.
Ela classificou as denúncias como “elitistas, racistas e machistas”. Em sua fala, a parlamentar fez uma crítica direta ao posicionamento da direita: “Quando a favela sobe no palco, a direita surta e pira”, afirmou. A defesa de Briolly não ficou restrita ao discurso.
Disputa judicial e política
Assim como o colega de oposição havia feito, a vereadora do PSOL também enviou um parecer ao Ministério Público do Rio. No documento, ela contesta formalmente as acusações de Douglas Gomes. Benny Briolly sustenta que não há qualquer prova ou decisão judicial que embase a alegação de crime durante o show.
Ela argumenta ainda que uma simples discordância ideológica ou de opinião sobre o conteúdo artístico não pode ser confundida com a prática de um ato ilícito. A ação transformou uma crítica pontual em uma disputa judicial e política de maior proporção, envolvendo figuras públicas de espectros ideológicos opostos.
O caso evidencia como eventos culturais de grande visibilidade, especialmente os financiados com dinheiro público, podem se tornar palco de embates políticos. A polêmica em torno do show de Ludmilla em Niterói reflete tensões sociais mais amplas, envolvendo questões raciais, de classe e a liberdade de expressão artística, que frequentemente emergem no debate público brasileiro.