A Polícia Federal (PF) enviou uma resposta oficial ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira, 7 de janeiro de 2026, sobre as reclamações feitas pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro em relação às condições da suíte onde ele cumpre pena. O documento aborda principalmente a questão do ruído do aparelho de ar-condicionado, que, segundo os advogados, estaria perturbando o sono do ex-presidente.
O Ofício da PF e a Resposta Sobre o Barulho
No ofício encaminhado ao Supremo, a Polícia Federal detalhou que não há condições técnicas de reduzir o barulho do sistema de refrigeração de forma imediata. A corporação explicou que a cela onde Bolsonaro está detido, conhecida como Sala de Estado-Maior, fica próxima às áreas técnicas do prédio da Superintendência Regional da PF em Brasília.
"Em razão dessa proximidade com as áreas técnicas, há nível de ruído no ambiente. Contudo, é importante destacar que não é possível eliminar ou reduzir significativamente esse ruído por meio de medidas simples ou pontuais", afirmou a PF no documento. A intervenção necessária, segundo a polícia, demandaria uma reforma estrutural complexa que mexeria com toda a infraestrutura do prédio.
A PF destacou ainda que uma ação efetiva para solucionar o problema exigiria a paralisação total do sistema de climatização por um período prolongado, o que prejudicaria o funcionamento ordinário da superintendência.
Estrutura da Cela e Falta de Alternativas
Jair Bolsonaro cumpre pena na Sala de Estado-Maior da PF em Brasília, uma suíte que conta com:
- Banheiro privativo
- Televisão
- Armários
- Ar-condicionado
- Frigobar
O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão no caso do golpe de estado. Em sua resposta, a PF também afirmou que não dispõe de outra sala em melhores condições para abrigar Bolsonaro de forma adequada e segura.
"Não há, no momento, alternativa física que atenda às exigências de segurança institucional para instalação de Sala de Estado-Maior", declarou a corporação no ofício, reforçando que a atual estrutura é a única que atende aos requisitos de segurança necessários para um preso de seu perfil.
Contexto e Consequências
A reclamação da defesa de Bolsonaro e a subsequente resposta da PF ilustram os desdobramentos práticos da execução da pena do ex-presidente. O caso coloca em evidência o desafio das autoridades em equilibrar o cumprimento da sentença judicial, as condições carcerárias e as limitações estruturais de uma unidade que não foi originalmente projetada como presídio.
A decisão do STF de manter Bolsonaro preso na Superintendência da PF, e não em um presídio comum, já havia gerado debates. Agora, a questão do conforto acústico dentro de uma cela considerada de padrão superior traz à tona discussões sobre o tratamento dado a autoridades condenadas. A PF, ao justificar a impossibilidade de mudanças imediatas, aponta para a prioridade de manter seus serviços operacionais, sugerindo que o bem-estar individual do preso, neste aspecto específico, não pode comprometer o funcionamento da instituição.