PF abre inquérito para investigar gestores do BRB por suspeitas de fraude
A Polícia Federal (PF) iniciou um novo inquérito para apurar a atuação de gestores do Banco de Brasília (BRB) em meio a suspeitas de gestão fraudulenta. O caso está diretamente relacionado às operações realizadas com o Banco Master, que resultaram em prejuízos significativos para a instituição pública do Distrito Federal.
BRB precisa reforçar capital em R$ 5 bilhões
O BRB deve entregar ao Banco Central, nesta sexta-feira (6), um plano de ações para reforçar seu balanço patrimonial em pelo menos R$ 5 bilhões. O valor exato será detalhado no documento, que ainda não foi divulgado publicamente. Esses recursos têm como objetivo principal melhorar o perfil de ativos do banco, reduzindo os riscos associados ao seu patrimônio.
Se aprovado pelo Banco Central, o plano deverá ser executado pelo BRB em um prazo máximo de seis meses. Medidas que afetem o caixa do governo do Distrito Federal, acionista majoritário do BRB, exigirão ainda o aval político da Câmara Legislativa do DF – onde o governador Ibaneis Rocha (MDB) conta com ampla maioria.
Operação com Banco Master gerou fragilidade financeira
A necessidade de reforço capital se tornou urgente devido às operações realizadas com o Banco Master. Desde o fim de 2024, o BRB gastou bilhões para adquirir carteiras de crédito do Master. Posteriormente, descobriu-se que essas mesmas carteiras haviam sido compradas pelo Master de outra instituição por menos da metade do valor pago pelo BRB.
O aspecto mais grave revela que o Master não chegou a pagar integralmente por esses créditos, mas recebeu o valor à vista ao revendê-los para o BRB. Todas essas inconsistências contribuíram para fragilizar o balanço patrimonial do banco público.
Detalhes da investigação da PF
O inquérito da PF foca especificamente na suspeita de gestão fraudulenta nessas transações. Segundo as investigações, o BRB injetou aproximadamente R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025. Desse total, cerca de R$ 12 bilhões foram direcionados para carteiras de crédito consideradas podres, que não pertenciam efetivamente ao Master e careciam de garantias financeiras adequadas.
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, após a identificação de uma profunda crise de liquidez. A instituição não possuía recursos suficientes para honrar compromissos básicos, como o pagamento a clientes e investidores.
Medidas para fortalecimento do BRB
No final de janeiro, o BRB divulgou um comunicado listando alternativas viáveis para reforçar seu patrimônio. As opções estudadas incluem:
- Criação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) com imóveis do governo do Distrito Federal
- Contratação de empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC)
- Aporte direto dos controladores
O governo do DF, que detém 71,92% do capital do BRB, já sinalizou disposição para contribuir. O governador Ibaneis Rocha mencionou em entrevistas a possibilidade de utilizar patrimônio público, como a constituição de um fundo imobiliário, para essas operações.
Perspectivas de estabilidade
Técnicos ouvidos por veículos de comunicação afirmam que não há risco iminente de falência ou liquidação do BRB. O fato de o acionista controlador ser o governo do Distrito Federal, com patrimônio suficiente para socorrer a instituição, oferece uma rede de segurança. No entanto, é fundamental que o banco reforce seu capital para continuar cumprindo as regras mínimas de solidez e segurança exigidas pela legislação bancária brasileira.
O objetivo final é garantir que o BRB permaneça sólido, evitando abalos à sua credibilidade e desconfianças no mercado financeiro.



