PF abre novo inquérito para investigar gestores do BRB em transação com o Master
A Polícia Federal iniciou um novo inquérito que tem como foco principal a atuação dos gestores do BRB (Banco de Brasília), especialmente em relação à compra de carteiras de crédito do Banco Master. Essa operação financeira, que normalmente é uma prática comum no mercado bancário, envolve a aquisição de um conjunto de contratos de empréstimos que uma instituição tem a receber. No entanto, no caso específico do BRB, uma das transações despertou a atenção das autoridades, levando o Banco Central a reportar o caso à PF para uma investigação mais aprofundada.
Detalhes da transação suspeita entre BRB e Master
O Banco Master, que já enfrentava problemas de liquidez, adquiriu quase R$ 7 bilhões em carteiras de crédito de outra instituição financeira, mas não efetuou nenhum pagamento por essa aquisição. Em seguida, o Master revendeu essa mesma carteira ao BRB por R$ 12,2 bilhões, recebendo o valor integral de forma imediata. Segundo técnicos envolvidos na investigação, existem fortes indícios de fraudes nessa operação, incluindo a ausência de transferências bancárias que comprovassem que os tomadores de empréstimo realmente receberam os recursos.
Indícios de irregularidades e padrões atípicos
Os investigadores identificaram uma concentração incomum de empréstimos em faixas etárias consideradas atípicas, como idosos com mais de 100 anos e crianças com menos de 5 anos. Além disso, foi observada uma repetição sistemática de valores idênticos em contratos para milhares de clientes diferentes, um padrão que os técnicos consideram improvável em operações reais de crédito. Por exemplo, em apenas quatro dias analisados, as operações se repetiam em 12 valores distintos, levantando suspeitas sobre a legitimidade dessas transações.
Impactos financeiros e medidas regulatórias
A relação entre o BRB e o Master resultou em um prejuízo significativo que reduziu o capital do banco público. Atualmente, o balanço do BRB ainda inclui ativos do Banco Master, o que agrava a situação financeira da instituição. Diante disso, o BRB já recebeu alertas formais do Banco Central e tem até sexta-feira, dia 6, para apresentar um plano detalhado visando recompor seu capital em pelo menos R$ 5 bilhões. O prazo estabelecido para a implementação completa desse plano é de seis meses, sob supervisão das autoridades reguladoras.
Repercussão política e investigações no Congresso
No âmbito do Congresso Nacional, parlamentares estão mobilizados para criar três Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) sobre o caso Master: uma mista, uma exclusiva do Senado e outra da Câmara dos Deputados. A instalação dessas comissões depende da aprovação dos presidentes das duas casas legislativas. Nesta terça-feira, dia 3, o presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que respeitará a ordem de entrada dos pedidos de CPI, havendo atualmente pelo menos 15 solicitações na fila.
Paralelamente, a CPMI que investiga fraudes no INSS manifestou interesse em ouvir Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, sobre suspeitas de irregularidades em contratos de empréstimos consignados para aposentados e pensionistas. O presidente da comissão, senador Carlos Viana, reuniu-se com o ministro Dias Toffoli, relator do inquérito, para discutir a participação de Vorcaro, que atualmente cumpre medidas cautelares determinadas pela Justiça.



