Polícia Federal revela esquema de ocultação de patrimônio envolvendo políticos pernambucanos
A Polícia Federal (PF) divulgou nesta terça-feira, 25 de fevereiro de 2026, uma investigação que aponta o ex-senador Fernando Bezerra Coelho e o deputado federal Fernando Coelho Filho (União Brasil-PE) como os verdadeiros controladores de uma concessionária de veículos registrada em nome de familiares. Segundo a corporação, a empresa, denominada Bari Automóveis, estaria sendo utilizada pelos políticos para ocultar desvios de verbas públicas e mascarar a origem de seu patrimônio.
Empresa realiza operações financeiras suspeitas em espécie
De acordo com a PF, a concessionária realizava "vultosas operações financeiras em espécie", muitas delas com valores fracionados, o que configura uma tentativa clara de dificultar o rastreamento dos recursos. A investigação também identificou repasses da empresa para pessoas físicas sem renda compatível, reforçando a suspeita de lavagem de dinheiro e ocultação de bens.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, citou essas irregularidades na decisão que autorizou buscas e apreensões contra os dois políticos. Em seu despacho, Dino ressaltou que as atividades da Bari Automóveis apresentam "todos os indicativos da tentativa de ocultar a origem e o destino do patrimônio" dos investigados.
Controle efetivo da empresa pelos políticos
A Polícia Federal afirma que não pairam mais dúvidas sobre o efetivo poder exercido por Fernando Bezerra Coelho sobre a concessionária. A corporação destaca que os valores destinados à empresa estavam sendo direcionados em benefício próprio do ex-senador, configurando um desvio de recursos públicos.
O esquema teria sido montado com o registro da empresa em nome de familiares, mas com o controle real nas mãos dos políticos. Essa estratégia é comum em casos de corrupção para dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários dos recursos ilícitos.
Operação faz parte de investigação mais ampla
A investigação que levou à descoberta do esquema faz parte de uma operação mais ampla da Polícia Federal, que vem apurando desvios de verbas públicas em Pernambuco. A autorização para as buscas e apreensões foi concedida pelo ministro Flávio Dino após análise detalhada das provas apresentadas pela PF.
As autoridades destacam que a prática de realizar operações financeiras em espécie, especialmente com valores fracionados, é uma técnica frequentemente utilizada para burlar os sistemas de controle e dificultar a fiscalização pelos órgãos competentes.
A defesa dos políticos ainda não se manifestou oficialmente sobre as acusações, mas a PF já coletou documentos e evidências que sustentam as denúncias. O caso deve seguir para análise do Ministério Público Federal, que decidirá sobre a eventual formalização de denúncia contra os investigados.



