Operação Fallax desvenda teia fraudulenta do Banco Master
A Polícia Federal, com apoio da Procuradoria Geral da República, desencadeou nesta quarta-feira a Operação Fallax, que já resultou na prisão de 21 pessoas e na execução de 43 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A ação investiga um sofisticado esquema de fraudes que pode ter desviado até R$ 500 milhões da Caixa Econômica Federal através de cessões de crédito irregulares.
O castelo de cartas do Master desaba
O ponto de partida da investigação foram as delações premiadas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que nem precisou abrir a boca para iniciar suas confissões. As revelações trouxeram à tona mais um elo do frágil castelo de cartas do já liquidado Banco Master, cuja queda começou com a detenção de Vorcaro no Aeroporto de Guarulhos em novembro passado, quando tentava embarcar para Malta com escala final em Dubai.
Naquele momento, o banqueiro seguia para negociações com o fundo soberano Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos, que em parceria com o grupo Fictor teria feito uma proposta de compra do Master por R$ 3 bilhões, conforme "release" distribuído pelo próprio banco. A ironia não passou despercebida pela PF, que batizou a operação de Fallax - uma corruptela de "falácia" - justamente em referência a essa cortina de fumaça financeira.
Alvos de alto escalão e repercussões políticas
Entre os alvos dos mandados de prisão preventiva está Rafael Góis, CEO do grupo Fictor, cujo braço financeiro sofreu intervenção do Banco Central logo após a liquidação do Master, levando todo o conglomerado à Recuperação Judicial em menos de uma semana.
As investigações, no entanto, prometem reverberações muito além do mundo financeiro. Celulares apreendidos de Daniel Vorcaro continham registros de conversas com políticos do governo e da oposição, integrantes do Poder Judiciário, além de autoridades do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários, todos agora sob o escrutínio da Polícia Federal.
Guerra no Oriente Médio afeta mercados globais
Enquanto o sistema financeiro brasileiro sente os tremores da Operação Fallax, os mercados internacionais acompanham com atenção a guerra entre Israel-Estados Unidos e Irã, que se expandiu para os grandes produtores de petróleo do Oriente Médio. O controle do Estreito de Ormuz pela marinha iraniana tem criado gargalos no escoamento da produção, gerando volatilidade nos preços do barril de petróleo tipo Brent.
Nesta quarta-feira, os contratos futuros para entrega em junho recuaram 3,60% para US$ 96,50, após iniciarem o dia cotados acima de US$ 100 na Ásia. A incerteza é alimentada pelas declarações erráticas do presidente norte-americano Donald Trump, que prometeu cessar as hostilidades em cinco dias através de mediação conduzida por seu genro, Jared Kushner.
Impactos inflacionários e reações dos bancos centrais
As tensões geopolíticas têm reflexos diretos na inflação global, pressionando os bancos centrais a ajustarem suas políticas monetárias. Enquanto o Federal Reserve dos EUA só deve iniciar seu ciclo de baixa de juros em 2027, e o Banco da Inglaterra mantém taxas estáveis, países dependentes de importações de petróleo enfrentam desafios maiores.
No Chile, onde o governo importa quase todo o petróleo consumido, os preços da gasolina subiram 33% e do diesel 70%, elevando a projeção inflacionária de 3,4% para 4,5%. No Brasil, a Petrobras garante mais de 70% do suprimento de diesel e quase 90% da gasolina, com acordos de preços que dependem da adesão dos estados - muitos governadores de oposição, que aceitaram a redução do ICMS em 2022, agora resistem às novas negociações.
Analistas apontam que, se o conflito no Oriente Médio for rapidamente resolvido, o Brasil poderá conter o salto inflacionário e reduzir a taxa Selic para 12,25% até dezembro. Enquanto isso, a Operação Fallax segue desvendando os fios de um dos maiores esquemas financeiros investigados no país.



