Prefeito de São Paulo exonera secretário-adjunto e presidente da SPTuris após denúncias milionárias
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), anunciou na noite desta quarta-feira (25) a exoneração do secretário-adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho da Silva, e a demissão do presidente da SPTuris, Gustavo Pires. As decisões foram tomadas após uma investigação da Controladoria Geral do Município (CGM) sobre contratos milionários com uma empresa ligada ao ex-secretário.
Investigação revela procuração e contratos suspeitos
Em vídeo publicado nas redes sociais, Nunes afirmou que determinou na sexta-feira (20) a investigação das ligações de Marinho com a empresa MM Quarter, que possui mais de R$ 229 milhões em contratos com a SPTuris. A denúncia foi inicialmente publicada pelo portal Metrópoles e envolve a empresária Nathália Carolina de Souza Silva, ex-sócia de Marinho em uma empresa de consultoria política.
Segundo o prefeito, a investigação da CGM encontrou uma procuração de Nathália Carolina dando plenos poderes a Rodolfo Marinho, o que pode indicar uma relação de sociedade entre eles na empresa investigada. "Diante dessa documentação e da orientação da Controladoria, estou exonerando o senhor Rodolfo Marinho", declarou Nunes em pronunciamento oficial.
Histórico de relações empresariais e políticas
Nathália Carolina foi sócia minoritária de Marinho na empresa Legiscom Publicidade e Consultoria LTDA, que prestou serviços eleitorais ao vereador Gilberto Nascimento JR (PL) e ao deputado federal Gilberto Nascimento nas campanhas de 2020 e 2022. Ela deixou a sociedade com o agora ex-secretário poucos dias antes de sua nomeação para a Secretaria de Turismo em abril de 2022.
Após a nomeação de Marinho por Nunes, a empresa MM Quarter ganhou 19 contratos milionários com a SPTuris, totalizando mais de R$ 229 milhões em quatro anos. Um dos contratos ativos é para a contratação de guias de turismo bilíngues durante o carnaval de rua de São Paulo, no valor de R$ 9,4 milhões.
Mudanças na estrutura da empresa investigada
Documentos da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp) mostram que a MM Quarter era originalmente uma empresa de manutenção e limpeza. Em 13 de abril de 2022, treze dias antes da nomeação oficial de Marinho como secretário, Nathália Carolina assumiu como única sócia e mudou a atividade para organização de eventos.
Um ano depois, em maio de 2023, a empresa passou de microempresa para empresa de pequeno porte (EPP). Apesar das mudanças, o endereço registrado permaneceu sendo um terreno com pequenas casas na Vila Sabrina, na periferia da Zona Norte, onde Nathália afirmava residir.
Reação da oposição e novas nomeações
Parlamentares da oposição ingressaram com pedido de investigação no Ministério Público de São Paulo contra a SPTuris, a MM Quarter e Rodolfo Marinho. O vereador Nabil Bonduki (PT) protocolou pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal para apurar todos os eventos da SPTuris com participação da empresa.
O prefeito Nunes também anunciou a nomeação do coronel Marcelo Salles, atual subprefeito da Sé, como novo presidente da SPTuris. Gustavo Pires, que ocupava o cargo desde agosto de 2021 na gestão do ex-prefeito Bruno Covas (PSDB), foi demitido.
Posicionamento dos envolvidos
Em nota, a MM Quarter negou que Rodolfo Marinho seja sócio oculto da empresa e afirmou que "as insinuações divulgadas não correspondem à realidade dos fatos". A empresa também esclareceu que o valor do contrato do carnaval mencionado representa teto máximo estimado, sendo que o valor efetivamente utilizado foi de R$ 2.987.443,57.
A prefeitura afirmou em comunicado que "determinou toda e qualquer apuração, inclusive sobre eventuais irregularidades cometidas por agentes públicos" envolvidos no caso. A reportagem procurou o secretário-adjunto Rodolfo Marinho, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
O Ministério Público de São Paulo confirmou ter recebido as notícias de fato sobre o caso, que estão em análise. A investigação da Controladoria Geral do Município continua para apurar todas as irregularidades possíveis nos contratos entre a SPTuris e a MM Quarter.



