Ex-reitor da UERR tem prisão pedida por MP após suspeita de adulteração de dados em esquema milionário
O Ministério Público (MP) de Roraima formalizou nesta quarta-feira (11) um pedido de prisão preventiva contra Regys Odlare Lima de Freitas, ex-reitor da Universidade Estadual de Roraima (UERR). A medida cautelar foi solicitada ao Tribunal de Justiça local com base em fortes indícios de que o grupo investigado está destruindo provas oficiais para encobrir um sofisticado esquema de desvio de dinheiro público.
Adulteração de sistema financeiro estadual
Segundo documentos anexados à denúncia, os promotores detectaram adulterações significativas no Sistema Integrado de Planejamento, Contabilidade e Finanças (Fiplan), plataforma oficial onde ficam registrados todos os pagamentos do governo estadual. Os dados financeiros da UERR começaram a ser alterados ou apagados sistematicamente, conforme apontam as investigações.
"No pedido de prisão em apenso e na denúncia foi destacado com clareza que os dados cadastrados no FIPLAN [...] estão sendo adulterados", afirma trecho do documento elaborado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Cronologia das manipulações
As alterações no sistema teriam começado na primeira quinzena de dezembro de 2025, período que coincide exatamente com o início dos interrogatórios policiais a suspeitos e questionamentos sobre discrepâncias de valores em contratos. Para o Gaeco, essa sincronia não é coincidência.
"O objetivo da alteração é, obviamente, mascarar o superfaturamento dos antigos contratos. Trata-se de crime com o viés de ocultação de provas", destaca o órgão ministerial em sua fundamentação.
Esquema de superfaturamento milionário
Regys Feitas é acusado de liderar uma organização criminosa que teria desviado mais de R$ 15 milhões dos cofres da universidade estadual. As investigações concentram-se especialmente em contratos firmados com a empresa terceirizada Ibiapino & Pinheiro Ltda., onde foram identificados indícios robustos de superfaturamento.
Além da prisão preventiva, o Ministério Público solicitou uma vistoria urgente nos registros de acesso do Fiplan para identificar precisamente quais servidores, computadores e credenciais foram utilizados para apagar as informações financeiras da UERR.
Risco de impunidade e influência no Judiciário
O pedido de prisão também fundamenta-se na postura do ex-reitor de utilizar suposta influência política e jurídica para garantir a continuidade do esquema. Documentos da investigação revelam que Regys Feitas demonstrava proximidade com membros do Poder Judiciário, utilizando essa relação como forma de blindagem.
O atual reitor da UERR, Cláudio Travassos, relatou que o ex-gestor frequentemente afirmava ter "intimidade" com desembargadores que "resolveriam o que fosse necessário" caso surgissem problemas legais. Essas declarações reforçam, segundo o MP, a necessidade da prisão para garantir a ordem pública e a instrução processual, impedindo que o investigado use sua influência para travar o andamento do processo.
Sigilo processual e busca por informações
O pedido de prisão está atualmente sob sigilo judicial. O Tribunal de Justiça de Roraima foi questionado sobre a análise do requerimento, mas ainda não se pronunciou oficialmente. A Universidade Estadual de Roraima também foi contatada para comentar o caso, aguardando-se seu posicionamento.
Esta investigação representa mais um capítulo nos escândalos de corrupção que marcaram a gestão do ex-reitor, cujas ações agora são minuciosamente examinadas pelo sistema de justiça roraimense em busca de responsabilização pelos desvios milionários.



