Empresário de Franca é procurado por envolvimento com PCC e lavagem de dinheiro
Empresário de Franca é procurado por ligação com PCC

A Polícia Civil de São Paulo procura o empresário Ciro Cesar Lemos, de Franca (SP), apontado como operador financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele é suspeito de usar uma transportadora de cargas em Presidente Venceslau (SP) para repassar dinheiro da facção a contas bancárias indicadas pela organização. Entre os beneficiários está a influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra, presa na quinta-feira (21) durante a Operação Vérnix, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Civil.

Investigação de sete anos

A Operação Vérnix, iniciada há sete anos, investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. Além de Ciro Lemos, são alvos Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder da facção, parentes dele e outros operadores financeiros. Ciro Lemos, considerado um operador central, tem passagens criminais por tráfico de drogas, tendo trazido entorpecentes do Paraguai para o Brasil. Ele já foi condenado, mas está foragido, assim como sua esposa, Elidiane Saldanha Lopes Lemos.

Atuação do empresário

Segundo o inquérito, Ciro atuava na compra de caminhões, realização de pagamentos e movimentação de recursos da cúpula do PCC. Ele executava ordens de Marcola e do irmão, Alejandro Camacho, e administrava patrimônio em nome deles, sendo considerado homem de confiança da liderança da facção. O g1 não conseguiu localizar a defesa de Ciro e da esposa até a última atualização desta reportagem.

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Transportadora de fachada

As investigações começaram em 2019, após agentes penitenciários encontrarem bilhetes manuscritos escondidos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os documentos continham ordens internas do PCC, contatos de integrantes e referências a ações violentas contra servidores públicos. A partir da análise, os investigadores chegaram a uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau, próxima ao complexo penitenciário, usada como empresa de fachada para movimentar dinheiro da facção. A empresa, Lado a Lado Transportes (ou Lopes Lemos Transportes), movimentou mais de R$ 20 milhões no período analisado, com incompatibilidade de R$ 6,9 milhões entre receitas declaradas e débitos, indicando lavagem de dinheiro.

Proprietários da transportadora

Os donos da transportadora são Ciro Cesar Lemos e Elidiane Saldanha Lopes Lemos. O casal foi indiciado, denunciado e condenado. A sentença reconheceu que a empresa foi instrumento para lavagem de capitais obtidos pelo crime organizado. A investigação apontou que a transportadora não era apenas contratada pela facção, mas uma pessoa jurídica criada pelo PCC e dirigida indiretamente pelos líderes. Marcola determinava providências, definia estratégias e estabelecia a divisão dos lucros por meio de intermediários, enquanto Alejandro dirigia a empresa em sociedade com Marcola. Os caminhões eram adquiridos por determinação de ambos.

Repasses para Deolane

A análise de um celular apreendido na residência do casal, mantido oculto conforme protocolos da facção, revelou conversas no Telegram que detalhavam o esquema. Everton de Souza, conhecido como "Player", atuava como gestor indireto da transportadora, orientando Ciro sobre contas que deveriam receber valores destinados a Alejandro e Marcola. A identificação de Everton levou os policiais até Deolane Bezerra. A investigação aponta que Deolane figurava entre os beneficiários diretos dos repasses, com depósitos em conta bancária própria, conforme comprovantes encontrados no celular.

Os afastamentos de sigilo bancário demonstraram que Deolane movimentava milhões de reais relacionados à facção, utilizando sua estrutura financeira e aparente respeitabilidade social para inserir valores ilícitos no sistema financeiro formal. Imagens dos depósitos que favoreciam contas de Deolane e Everton foram localizadas no aparelho celular apreendido na casa de Ciro. A defesa de Deolane ressaltou sua inocência e afirmou que os fatos serão devidamente esclarecidos.

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