Presidente brasileiro anuncia plano de operações da PF em solo americano com aval de Trump
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, durante coletiva de imprensa em Nova Déli, na Índia, neste domingo (22), que pretende realizar operações da Polícia Federal nos Estados Unidos para combater o crime organizado, mediante autorização do governo de Donald Trump. "Eu não quero recebê-los, eu quero prendê-los", afirmou Lula, referindo-se especificamente a criminosos brasileiros que residem em território americano.
Contexto internacional e motivação da iniciativa
A decisão é impulsionada pela recente invasão dos Estados Unidos à Venezuela, que resultou na prisão do ditador Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, sob a justificativa de combate ao narcotráfico e ao crime organizado. Esse evento gerou apreensão no governo brasileiro, pelo temor de que novas ações americanas na Venezuela pudessem causar instabilidade na América Latina e, consequentemente, afetar o Brasil.
Lula detalhou que o governo americano já recebeu nomes, fotos e documentos da Receita Federal de membros de organizações criminosas que residem nos EUA e são monitorados pelas autoridades brasileiras por suspeita de diversos crimes. O presidente não informou qual foi a resposta dos americanos em relação ao pedido, mas adiantou que o tema será um dos principais na reunião bilateral com Trump, prevista para março.
Estruturação das operações e comitiva presidencial
Para viabilizar as ações, Lula prevê a participação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, além de representantes da Receita Federal e da Polícia Federal. "Qualquer coisa que puder colocar uns magnatas da corrupção na cadeia, nós estamos dispostos a trabalhar", declarou o presidente, acrescentando: "E esses magnatas não moram na favela, não moram no térreo, eles moram em cobertura, moram nos bairros mais chiques do Brasil e nos bairros mais chiques dos Estados Unidos".
O diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, acompanhou o presidente na viagem à Índia para a abertura do cargo de adido no país, voltado ao combate ao crime organizado entre as nações. Embora membros da própria corporação tenham dito à Folha que o número não é expressivo, Lula afirmou que o diretor passará a integrar sua comitiva nas próximas viagens para expandir a atuação da PF em outros territórios, mediante a autorização dos governos locais.
Expansão da cooperação internacional e próximos passos
"Nós precisamos colocar adidos da Polícia Federal nos países, precisamos fazer convênios para combater o crime organizado, para combater o narcotráfico", declarou o presidente. Ele segue com sua agenda internacional, partindo para a Coreia do Sul, onde participará de uma visita de Estado e de reuniões com o presidente Lee Jae Myung, bem como de encontros com empresários, reforçando os laços diplomáticos e de segurança.
A iniciativa reflete uma estratégia mais ampla de cooperação policial internacional, com foco em ações diretas contra criminosos brasileiros no exterior, aproveitando a recente movimentação americana na Venezuela como catalisador para medidas similares em solo dos EUA.



