INSS descobre nova operação irregular do Banco Master envolvendo crédito consignado
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) detectou que o produto M Fácil Consignado, oferecido pelo Banco Master na área de créditos e benefícios consignados, estava sendo operado de forma irregular e havia escapado das investigações internas do órgão federal até a semana passada. A descoberta revela um novo front nas apurações sobre fraudes no sistema de consignados.
Indícios de fraude em contratos do M Fácil
De acordo com análises realizadas pelo INSS, os contratos do M Fácil apresentam nomes duplicados em um mesmo documento, omissão dos juros efetivamente cobrados aos beneficiários e ausência de assinaturas que permitissem uma verificação mínima sobre a validade do benefício consignado. Segundo o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, o produto é equivalente ao Credcesta, outro esquema irregular que já estava sob investigação.
"Para o INSS, é como se M Fácil Consignado e Credcesta não existissem, porque a gente só autoriza a fazer consignado em contrato específico do segurado com a instituição financeira", afirmou Waller Júnior. "Quando há a migração de um crédito para o consignado, essa migração já ocorre com várias irregularidades, em que não há autonomia para verificação."
Operação sem amparo legal e juros sobre juros
O M Fácil Consignado é um cartão de benefício que opera sem amparo legal, conforme avaliação do presidente do INSS, com possibilidade de incidência de juros sobre juros nos contratos firmados. A detecção da irregularidade foi feita em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e comunicada a outros órgãos de controle do governo federal.
Os contratos analisados pelo INSS não permitem verificar se a assinatura eletrônica do beneficiário é verdadeira, nem apresentam dados expressos sobre juros e valores das parcelas. Diante da nebulosidade dos termos e do método de transferência entre modalidades de crédito, todos os contratos do Credcesta e M Fácil serão cancelados.
Resposta da defesa e contexto do Banco Master
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro, sócio do Banco Master, afirmou que a instituição sempre respeitou normas e procedimentos do INSS. "O banco sempre atuou em estrita observância às normas e aos procedimentos estabelecidos pelo INSS para a concessão de crédito consignado", disse a defesa.
No entanto, o Banco Central, responsável pelo processo de liquidação do Master decretado em novembro, não respondeu aos questionamentos sobre o caso. Por meio de um acordo de cooperação técnica com o governo federal entre setembro de 2020 e setembro de 2025, o Master operou em todas as linhas de consignados do INSS, mas o acordo não foi renovado diante da crise do banco e das suspeitas de fraudes.
Caminho para a esfera criminal e operação policial
Os casos envolvendo o M Fácil devem ser levados à esfera criminal devido aos indícios de fraudes, segundo o INSS. A investigação ocorre paralelamente à Operação Compliance Zero da Polícia Federal, que prendeu Daniel Vorcaro e Augusto Lima em novembro por suspeita de organizarem um esquema para simular carteiras de crédito sem lastro para o BRB.
Vorcaro foi preso novamente nesta quarta-feira (3) em nova fase da operação, que apontou a existência de um suposto grupo voltado à vigilância e intimidação de desafetos. O Credcesta, produto similar ao M Fácil, havia se expandido para 24 estados e 176 municípios até o final de 2024, após ser permitido a aposentados e pensionistas do INSS através de medida provisória em 2022.
"O nosso aposentado fica desesperado por dinheiro, e consegue o que é mais fácil", completou Waller Júnior, destacando a vulnerabilidade dos beneficiários diante desses esquemas irregulares.
