Inquérito das Fake News volta à tona com pedido para incluir Romeu Zema
O inquérito das fake news, criado para investigar notícias falsas e ameaças contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ganhou novo capítulo nesta segunda-feira, 20 de abril de 2026. O ministro Gilmar Mendes solicitou a inclusão do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), na investigação. O pedido foi motivado por uma animação publicada pelo presidenciável, que simula uma conversa entre o decano e o ministro Dias Toffoli, retratando condutas ilícitas na condução do inquérito do Banco Master.
Críticas à continuidade do inquérito e posição da OAB
A inclusão de Zema reacendeu as críticas sobre a continuidade do próprio inquérito das fake news, especialmente entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Eles citam um ofício da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), de fevereiro deste ano, que pede o encerramento de investigações de "duração indefinida". Assinado pelo presidente Beto Simonetti e outros integrantes, o documento expressa "extrema preocupação institucional com a permanência e conformação jurídica de investigações de longa duração" e solicita providências para sua conclusão.
O Plenário do Supremo, no entanto, validou neste ano, por 10 votos a um, a prorrogação das investigações até 2027. Desde sua abertura em 2019, o inquérito resultou em diversas medidas, incluindo:
- Bloqueio de contas
- Mandados de busca e apreensão
- Prisões
- Outras apurações, como o inquérito das Milícias Digitais
Principais políticos envolvidos no inquérito das fake news
O inquérito já teve como alvo várias figuras políticas de destaque. Relembre os casos mais notórios:
Jair Bolsonaro
Incluído nas investigações em 2021 pelo ministro relator Alexandre de Moraes, devido a ataques sem provas contra o sistema eleitoral e as urnas eletrônicas. A inclusão atendeu a um pedido do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com possíveis crimes como calúnia, difamação e incitação ao crime. Atualmente, Bolsonaro cumpre pena por tentativa de golpe de Estado nos atos de 8 de janeiro de 2023.
Daniel Silveira
Ex-deputado federal do PTB-RJ, foi preso em 2021 no âmbito do inquérito dos atos antidemocráticos, aberto em 2020. Condenado a 8 anos e 9 meses de prisão pelo STF por ameaça ao Estado Democrático de Direito, após publicar um vídeo defendendo o AI-5 e a destituição de ministros do Supremo.
Allan dos Santos
Blogueiro bolsonarista foragido nos Estados Unidos desde 2021, quando teve ordem de prisão preventiva decretada por Alexandre de Moraes. Investigado por suposto esquema de divulgação de informações falsas contra ministros, com indícios de "atuação sistemática contra instituições democráticas". Também é alvo do inquérito das milícias digitais.
Outros investigados e medidas judiciais
O inquérito das fake news também resultou em outras medidas, como quebras de sigilo bancário e fiscal, além de mandados de busca e apreensão contra parlamentares, incluindo:
- Deputados federais Bia Kicis (DF), Carla Zambelli (SP), Luiz Philippe de Orleans e Bragança (SP) e Filipe Barros (PR)
- Deputados estaduais por São Paulo Gil Diniz e Douglas Garcia
- O então deputado Roberto Jefferson (PTB), posteriormente preso no inquérito das milícias digitais
Estes casos destacam o impacto contínuo do inquérito das fake news no cenário político brasileiro, com repercussões que vão além das investigações iniciais, afetando figuras públicas em múltiplas frentes judiciais.



