Foragido condenado pelo STF por atos de 8 de janeiro morre na Argentina e é velado em Jaú
Foragido condenado pelo STF morre na Argentina e é velado em Jaú

Foragido condenado pelo STF por atos de 8 de janeiro morre na Argentina e é velado em Jaú

Está sendo velado na manhã desta terça-feira (31), em Jaú (SP), o corpo de José Eder Lisboa, de 64 anos, adestrador de cães condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 14 anos e seis meses de prisão em regime fechado por participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 em Brasília. Ele faleceu na última sexta-feira (27), na Argentina, onde estava foragido da Justiça brasileira. O sepultamento está marcado para as 16h30 no Cemitério Municipal de Jaú.

Trajetória e condenação

José Eder Lisboa, nascido em Jaú e residente em São Carlos à época dos atos, foi condenado em junho de 2024 pelos crimes de:

  • Abolição violenta do Estado Democrático de Direito
  • Golpe de Estado
  • Dano qualificado
  • Deterioração de patrimônio tombado
  • Associação criminosa armada

Além da pena privativa de liberdade, ele foi condenado a um ano e seis meses de detenção, pagamento de R$ 43,4 mil em multas e indenização por danos morais coletivos de R$ 30 milhões, valor a ser dividido com outros condenados.

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Circunstâncias da morte

De acordo com a Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de janeiro (ASFAV), José estava foragido na Argentina, longe da família, quando adoeceu. Ele ficou internado por vários dias em um hospital no país vizinho, onde não resistiu e veio a falecer.

A advogada Carolina Siebra, que representa tanto a ASFAV quanto o adestrador, confirmou a morte e detalhou que José teve um problema de saúde inicialmente tratado como botulismo, mas posteriormente diagnosticado como Síndrome de Guillain-Barré, doença autoimune que ataca os nervos periféricos. Embora estivesse em recuperação, ele não resistiu às complicações.

Traslado do corpo

O corpo de José Eder Lisboa chegou a Jaú na madrugada desta terça-feira, após ser trasladado da Argentina. O Itamaraty, em nota, esclareceu que embaixadas e consulados brasileiros podem prestar orientações gerais aos familiares em casos de falecimento no exterior, mas que o traslado de restos mortais ocorre apenas em situações excepcionais e devidamente motivadas.

Contexto dos atos de 8 de janeiro

Os ataques de 8 de janeiro de 2023 representaram um episódio sem precedentes na história democrática do Brasil. Bolsonaristas radicais invadiram e vandalizaram o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto, causando danos materiais significativos e atentando contra instituições democráticas. Na época, 2.151 pessoas foram presas em flagrante.

Durante seu depoimento à polícia, José Eder Lisboa afirmou que foi a Brasília em uma van fretada com outras 11 pessoas de São Carlos, manifestando-se pacificamente contra a corrupção e questionando a transparência das urnas eletrônicas - embora o processo eleitoral brasileiro seja reconhecidamente transparente e auditável. Ele também declarou não se considerar bolsonarista.

O adestrador tornou-se réu em maio de 2023 e teve a prisão revogada em agosto do mesmo ano, permanecendo em liberdade com restrições até sua condenação definitiva e subsequente fuga para a Argentina.

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