O Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou que o acordo envolvendo Irã, Israel e EUA pode ser concluído nesta segunda-feira (25). Rubio enfatizou que Israel possui o direito de se defender contra ataques e que os EUA darão todas as chances à diplomacia antes de considerar outras opções.
Declarações de Rubio sobre o acordo
“Temos o que acredito ser algo bastante sólido na mesa em termos de capacidade de abrir os estreitos”, afirmou Rubio. Ele acrescentou: “Israel sempre tem o direito de se proteger se o Hezbollah lançar ou estiver prestes a lançar mísseis contra eles. Israel tem todo o direito de responder a isso”. As declarações foram feitas a jornalistas ao deixar a capital indiana Nova Délhi, onde cumpriu agenda oficial.
Rubio ainda disse: “Achamos que poderíamos ter alguma novidade ontem à noite, talvez hoje. Não tiraria conclusões precipitadas disso”, referindo-se ao potencial acordo.
Posição de Donald Trump
No domingo (24), o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o acordo para encerrar a guerra com o Irã ainda não foi visto por ninguém e não está “totalmente negociado”. Ele reiterou que, se assinado, o texto impedirá a produção de armas nucleares por parte do Irã.
“Se eu fizer um acordo com o Irã, será um bom e adequado, diferente daquele feito por [Barack] Obama, que deu ao Irã grandes quantias de DINHEIRO e um caminho claro e aberto para uma arma nuclear. Nosso acordo é exatamente o oposto, mas ninguém o viu ou sabe o que é. Ele nem mesmo está totalmente negociado ainda”, escreveu Trump na rede social Truth Social.
A publicação sinaliza uma nova mudança de tom do presidente sobre as negociações. No sábado (23), Trump dissera que o acordo estava perto de ser concluído; horas depois, ameaçou “explodi-los [os iranianos] em mil infernos” caso não houvesse consenso até domingo. No entanto, no domingo, Trump afirmou ter orientado os representantes dos EUA a não terem pressa e que o tempo está a favor do governo norte-americano. “As negociações estão progredindo de forma ordenada e construtiva”, publicou.
Negociações em andamento
As negociações entre Irã e EUA pelo fim da guerra no Oriente Médio, iniciada no fim de fevereiro, arrastam-se há semanas. Uma proposta iraniana feita na semana passada foi rejeitada por Washington, que considerou os termos insuficientes. Uma das principais exigências americanas é o encerramento definitivo do programa nuclear iraniano, o que Teerã rejeita.
Entendimento preliminar
No domingo, o jornal The New York Times informou que os dois países chegaram a um entendimento preliminar: o Irã reabriria o Estreito de Ormuz em troca da entrega de seu arsenal nuclear. A informação é atribuída a um oficial americano próximo das negociações.
Os EUA impõem, desde abril, um bloqueio aos portos iranianos, após Teerã praticamente paralisar o tráfego pelo Estreito de Ormuz em resposta aos ataques americanos e israelenses contra o Irã, iniciados em 28 de fevereiro. Ormuz é um corredor estratégico para o comércio mundial de petróleo — antes do conflito, cerca de 20% da produção global passava por ali. O fechamento temporário pressionou os preços da commodity no mundo todo.
Referência ao acordo de Obama
No post de domingo, Trump também faz referência ao acordo nuclear firmado por Barack Obama em 2015. O pacto previa limitar o programa nuclear iraniano em troca da retirada de sanções internacionais. Críticos do acordo, entre eles Israel, afirmam que parte dos recursos liberados foi usada pelo regime iraniano para financiar grupos armados no Oriente Médio.
Leia a íntegra da publicação de Trump na Truth Social neste domingo:
“Se eu fizer um acordo com o Irã, será um bom e adequado, diferente daquele feito por Obama, que deu ao Irã grandes quantias de DINHEIRO e um caminho claro e aberto para uma arma nuclear. Nosso acordo é exatamente o oposto, mas ninguém o viu ou sabe o que é. Ele nem mesmo está totalmente negociado ainda. Então não dê ouvidos aos perdedores, que criticam algo sobre o qual não sabem nada. Diferentemente daqueles que vieram antes de mim e que deveriam ter resolvido esse problema muitos anos atrás, eu não faço maus acordos!”



