Ex-vereadora de Búzios presa por suspeita de rachadinha e desvio de R$ 200 mil
Ex-vereadora de Búzios presa por rachadinha de R$ 200 mil

Ex-vereadora de Búzios é presa em operação por suspeita de rachadinha e desvio de R$ 200 mil

A ex-vereadora de Armação dos Búzios, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, Gladys Pereira Rodrigues da Costa, foi presa nesta terça-feira (24) em uma operação conduzida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). A ação visa investigar um suposto esquema de "rachadinha" que teria desviado mais de R$ 200 mil dos salários de assessores entre os anos de 2017 e 2020.

Gestos e acusações durante a prisão

Ao chegar à delegacia, a ex-parlamentar fez um gesto de "banana" para os cinegrafistas presentes, sinalizando desdém pela situação. Em seguida, ela proferiu palavras de revolta, direcionando acusações ao prefeito da cidade: "Quem mandou vocês aqui? O prefeito? Eu vou pegar o prefeito, vou te colocar na cadeia, seu vagabundo, pilantra, você que tinha que ir preso, ao invés de prender sua filha e seu pai que roubou as terras da cidade, roubou os nativos, prefeito bandido".

Investigação do GAECO e denúncias

De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ), Gladys e outras três pessoas foram denunciadas pelos crimes de associação criminosa e peculato. As denúncias que deram origem ao caso começaram a ser apuradas em 2022, culminando na autorização judicial de mandados de prisão e busca e apreensão, cumpridos por promotores do GAECO e agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ).

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Mecanismo do esquema de desvio

O Ministério Público afirma que a então vereadora exigia a devolução de parte, ou até da totalidade, dos salários de assessores comissionados do seu próprio gabinete. Após os pagamentos serem efetuados pela Câmara Municipal, os valores eram sacados e repassados em espécie ou por meio de depósitos bancários. A apuração identificou 87 depósitos em dinheiro na conta de Gladys entre 2017 e 2019, totalizando R$ 206.013,37.

Diligências e descobertas

Durante as diligências, a equipe do MPRJ levou cerca de duas horas para localizar um celular alvo da busca e apreensão. O aparelho foi encontrado atrás de um armário na casa da ex-parlamentar, apesar de ela ter informado previamente que o telefone estaria com um assessor. A ex-vereadora chegou à delegacia acompanhada por sua filha e marido, que também compareceram ao local.

Relatos de ex-assessores e acordos

Ex-assessores relataram que os repasses dos salários eram uma condição obrigatória para a permanência nos cargos comissionados. Parte dos investigados optou por firmar Acordos de Não Persecução Penal com o Ministério Público, colaborando com as investigações. A apuração também aponta a indicação de familiares para cargos comissionados durante o período em questão.

A denúncia foi formalmente apresentada à Justiça, e o caso segue em andamento, com novas etapas processuais previstas para os próximos meses. As autoridades reforçam o compromisso com o combate à corrupção e a responsabilização dos envolvidos em esquemas ilícitos.

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