Ex-assessor de governadora pernambucana enfrenta pedido de investigação do MP
O jornalista Manoel Pires Medeiros Neto, que atuou como assessor especial da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), tornou-se alvo de uma petição criminal do Ministério Público de Pernambuco (MPPE). O documento, ao qual o g1 teve acesso, solicita a instauração de um inquérito policial para investigar o comunicador devido a um artigo publicado em seu blog pessoal.
Conteúdo do artigo gera questionamentos legais
O texto em questão apontou quatro secretários da prefeitura do Recife como sócios de uma empresa dedicada à compra e venda de imóveis, além da criação de bovinos e equinos. Conforme a denúncia apresentada, essa situação afrontaria a legislação municipal vigente, especificamente o Estatuto dos Servidores Municipais do Recife.
A petição do MPPE afirma que a promotoria decidiu requerer a abertura da investigação após receber uma queixa-crime. A queixa alega que o blogueiro "teria veiculado, em 16 de janeiro de 2026, uma publicação imputando falsamente a prática de crimes de lavagem de capitais e falsidade ideológica" às pessoas mencionadas no artigo.
Servidores públicos citados na publicação
Os servidores que solicitaram a investigação são:
- Antônio Mário da Mota Limeira Filho, chefe de gabinete de assessoria especial do prefeito do Recife
- Gustavo Figueiredo Queiroz Monteiro, secretário de Articulação Política e Social
- Daniel Saboya Paes Barretto, presidente da Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb)
- Luciano Temporal Carneiro, secretário executivo de Coordenação Geral da Secretaria de Segurança e Ordem Pública do Recife
Além desses, Bruno Delgado de Souza também integra a ação. Ele havia sido nomeado secretário executivo de Transformação Digital do município em dezembro de 2025, mas, segundo informações da prefeitura, não tomou posse após receber uma proposta para trabalhar em uma empresa de entregas por aplicativo.
Contexto político e histórico do jornalista
Manoel Medeiros pediu exoneração do cargo de assessor especial da governadora Raquel Lyra em agosto do ano passado. A saída ocorreu após ele ser acusado pelo presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Álvaro Porto (PSDB), de integrar uma "milícia digital" para atacar adversários do governo estadual.
O g1 entrou em contato com o jornalista para comentar sobre o pedido de investigação feito pelo MPPE, mas, até a última atualização desta reportagem, não obteve resposta.
Detalhes do pedido de inquérito policial
A requisição de instauração de inquérito policial foi apresentada na quinta-feira (19) pela promotora de Justiça Henriqueta de Belli Leite de Albuquerque. Segundo a petição, o objetivo da investigação é identificar "a origem das informações e a ausência de verificação da veracidade dos fatos antes da publicação".
A promotora também solicitou uma "análise técnica de materialidade" para comprovar se houve intenção de caluniar, "extrapolando o limite da crítica jornalística". O MP requer que Manoel Medeiros seja ouvido, assim como outras duas testemunhas: Vinicius de Araújo Góes e Victor Pinheiro de Carvalho, secretários executivos que atuam na Secretaria de Articulação Política e Social.
Andamento processual e prazos estabelecidos
A solicitação foi encaminhada para a Coordenação de Procedimentos Policiais, com a expectativa de que um inquérito policial seja instaurado em até 60 dias. Ao final das investigações, os resultados deverão ser encaminhados à Central de Inquéritos da Capital "para que as providências legais cabíveis possam ser finalmente tomadas", conforme escreveu a promotora no documento.
Vale destacar que um dos servidores citados, Gustavo Monteiro, já foi alvo de uma investigação preliminar da Polícia Civil em janeiro deste ano, apontada como irregular em reportagens anteriores.



