Documento revela estratégias secretas do PL para eleições e opiniões sobre candidatos
Documento do PL revela estratégias secretas para eleições

Documento interno do PL revela estratégias eleitorais e avaliações sigilosas sobre candidatos

BRASÍLIA, DF - Anotações realizadas durante uma reunião da cúpula do Partido Liberal (PL), ocorrida nesta terça-feira (24), com a presença do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), desvendam os planos eleitorais da legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro para as eleições deste ano e expõem opiniões internas que não são divulgadas publicamente. A reportagem obteve acesso exclusivo ao texto, intitulado "situação nos estados", que consiste em uma lista impressa de possíveis concorrentes acompanhada de diversas anotações manuscritas.

Embora não tenha sido possível identificar o autor das observações feitas à caneta, a sala onde esse mapa estratégico foi debatido contava com a presença dos políticos que compõem a cúpula do PL, além do próprio Flávio Bolsonaro. Nesta terça, o senador participou de reuniões com seu coordenador de campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), e o presidente do partido, Valdemar Costa Neto.

Estratégias estaduais e avaliações confidenciais

No topo da primeira página do documento, está escrito "ligar Tarcísio", em referência ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). As anotações sobre São Paulo abordam possíveis candidatos para a vaga de vice de Tarcísio, que buscará a reeleição. O nome do atual vice, Felício Ramuth (PSD), preferido de Tarcísio, aparece ligado por uma seta a um símbolo "$". Ramuth é alvo de investigação por lavagem de dinheiro, caso revelado na semana passada, embora ele negue qualquer irregularidade.

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Logo abaixo, há uma pergunta: "André do Prado vice?", referindo-se ao presidente da Assembleia Legislativa, que é do PL e tenta desbancar Ramuth para a vaga de vice. O deputado Guilherme Derrite (PP) é um dos candidatos ao Senado na chapa bolsonarista, mas o segundo nome da disputa, a ser indicado pelo PL, permanece em aberto. O rascunho lista cinco possíveis candidatos ao Senado, nesta ordem: Renato Bolsonaro, irmão de Jair Bolsonaro, Mario Frias, Eduardo Bolsonaro, Coronel Mello Araújo e Marco Feliciano.

A reunião foi organizada por Flávio Bolsonaro e seus principais aliados para traçar um panorama do partido a meses da eleição nacional, caracterizando-se como um "brainstorm" com a fotografia do momento, segundo interlocutores do senador. O registro oficial de candidatos ocorrerá apenas em agosto.

Impasses e alianças em estados-chave

O documento indica descrença da cúpula do PL em Minas Gerais em relação ao vice-governador Mateus Simões (Novo), candidato ao governo, com a observação "me puxa para baixo". "Se for candidato", segue a anotação sobre Simões, "Cleitinho e Pacheco também são", referindo-se ao senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), possível candidato de Lula (PT) ao Governo de Minas, e ao senador Cleitinho (Republicanos). O PL também cogita lançar Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, ao governo, já que o partido não tem um candidato em Minas – o deputado Nikolas Ferreira era cotado, mas não deseja concorrer ao Executivo. Ao lado de Roscoe está escrito "conversa com Nikolas".

Em Alagoas, entre os cotados para o governo aparecem o prefeito de Maceió, JHC (PL), e o deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil). Ao lado de JHC, o rascunho diz que é preciso conversar com ele até 15 de março, enquanto, ao lado de Gaspar, a anotação afirma: "único que pedirá voto para mim". Entre os candidatos ao Senado no estado, uma anotação inclui o nome "Arthur (JB)", sugerindo que o ex-presidente Jair Bolsonaro pode apoiar o deputado Arthur Lira (PP-AL) para o posto.

No Distrito Federal, o documento revela um impasse: em tese, a chapa do PL seria formada pela vice-governadora Celina Leão (PP) como candidata ao governo, com Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) para o Senado. Porém, uma anotação observa que "se Ibaneis [Rocha, do MDB] for candidato ao Senado, não dá para oficializar com Celina", indicando que não haveria espaço para duas candidatas do PL na mesma chapa.

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Negociações e prioridades em outros estados

No Mato Grosso do Sul, o governador Eduardo Riedel (PP) deve ser apoiado pelo PL, com o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) e o ex-deputado Capitão Contar (PL) como possíveis candidatos ao Senado. "Recall/melhor nas pesquisas", diz uma observação sobre Contar. O deputado federal Marcos Pollon, que pretende concorrer ao governo ou ao Senado, é mencionado com a anotação "Pollon (pediu 15 mi para não ser candidato)". Procurado, Pollon negou veementemente, classificando a anotação como "não faz o menor sentido" e acusando uma campanha de assassinato de reputação.

Na Bahia, a prioridade do PL é estabelecer uma aliança com ACM Neto (União Brasil), candidato ao governo, com a anotação "Conversar primeiro, depois tratamos de palanque completo". No Ceará, o plano é apoiar Ciro Gomes (PSDB), com o PL integrando sua chapa. No Piauí, o presidente do PP, Ciro Nogueira, aparece como opção de apoio ao Senado.

O documento também aponta que o senador Efraim Filho (União Brasil-PB) deve se filiar ao PL para concorrer ao Governo da Paraíba, enquanto o ex-ministro Marcelo Queiroga (PL) deve disputar o Senado. No Paraná, o deputado federal Giacobo (PL-PR) "não pode ser candidato (Valdemar)", e o plano é apoiar o deputado Filipe Barros (PL) para o Senado, com a observação de que apoiar um segundo nome, como Cristina Graeml, "não dá, atrapalharia Filipe".

No Rio Grande do Sul, a situação aparece resolvida com um "ok", com o deputado federal Zucco (PL) como candidato ao governo e os deputados Sanderson (PL) e Marcel Van Hattem (Novo) para o Senado, além do ex-ministro Onyx Lorenzoni (PP) como possível vice-governador. Em Goiás, os possíveis candidatos ao governo são o vice-governador Daniel Vilela (MDB) e o senador Wilder Moraes (PL), enquanto para o Senado estão cotados o deputado Gustavo Gayer (PL) e Gracinha Caiado (União Brasil).

Em Santa Catarina, como já divulgado, o senador Esperidião Amin (PP) foi preterido na chapa para o Senado, que terá Carlos Bolsonaro (PL) e a deputada Caroline de Toni (PL), por determinação de Jair Bolsonaro. No rascunho, o nome de Amin aparece riscado, confirmando a exclusão.