Deputada denuncia 'pacto de silêncio' no caso Master e omissão trágica no Congresso
A deputada federal Adriana Ventura (Novo-SP) classificou como "omissão trágica" a decisão de não prorrogar os trabalhos da comissão que investigava irregularidades ligadas ao INSS e ao Banco Master. Em entrevista ao programa Ponto de Vista, apresentado por Marcela Rahal, a parlamentar afirmou que existe uma "rede de proteção explícita" atuando para barrar o avanço das apurações, envolvendo diferentes esferas dos Três Poderes da República.
Interferências políticas e frustração de expectativas
Segundo Ventura, a interrupção das investigações frustrou completamente as expectativas de responsabilização e recuperação de recursos públicos. "Todo cidadão quer ver os responsáveis punidos e o dinheiro restituído aos cofres públicos", afirmou a deputada, destacando que o encerramento ocorreu apesar de sinais claros de avanço nas apurações.
A parlamentar criticou diretamente a condução política que levou ao fim da comissão, apontando falha institucional no Congresso ao não garantir a continuidade automática dos trabalhos. "Não é o procedimento normal nem o presidente do Congresso se omitir dessa maneira", declarou Ventura, acrescentando que, à medida que as investigações avançaram – especialmente ao alcançar temas como consignados e o Banco Master –, aumentou significativamente a resistência dentro do próprio sistema político.
Rede de proteção envolvendo os Três Poderes
Questionada sobre o alcance do caso, a deputada foi enfática ao apontar articulações para conter as investigações. "Tenho absoluta certeza. Há uma rede de proteção explícita", disse Ventura, sustentando que os indícios envolvem diferentes esferas institucionais.
"Estamos falando de parlamentares, ministros do Supremo Tribunal Federal e pessoas ligadas ao Executivo", afirmou a deputada, ao explicar que o movimento para interromper a comissão também configura uma forma de "blindagem" institucional. Segundo sua análise, quando as investigações começaram a avançar e incomodar interesses estabelecidos, houve esforços concentrados para acabar com a comissão de qualquer maneira possível.
Ceticismo sobre avanço imediato das investigações
Apesar de existirem pedidos de investigação no Congresso, Ventura demonstrou ceticismo quanto ao avanço imediato das apurações. Embora reconheça que decisões recentes possam abrir espaço para novas investigações, ela avalia que falta vontade política genuína para levar o processo adiante.
"Eles não querem que a coisa avance", disse a deputada, referindo-se à cúpula dos Três Poderes. Ventura afirmou que pretende acionar órgãos como Controladoria-Geral da União (CGU), Advocacia-Geral da União (AGU) e Tribunal de Contas da União (TCU) para buscar responsabilizações e ressarcimento aos cofres públicos. "Não dá para deixar uma sujeira dessas debaixo do tapete", declarou com firmeza.
Impacto na imagem do Congresso e outras instituições
Durante a entrevista, também foi abordada a deterioração da imagem do Congresso junto à opinião pública. Ventura reconheceu o problema e afirmou que muitos parlamentares estão mais preocupados com questões eleitorais do que com o fortalecimento da instituição. "Muitos estão olhando para o próprio umbigo", criticou a deputada.
Ainda assim, ela fez distinção entre diferentes grupos dentro do Legislativo, afirmando que existem parlamentares genuinamente comprometidos com a investigação, mas também "outros que nos envergonham" com suas atitudes e omissões.
Ventura alertou que a perda de confiança não se restringe ao Congresso e atinge também o Judiciário, citando pesquisas que indicam alta rejeição ao Supremo Tribunal Federal (STF) e alertando para o risco real de deslegitimação institucional. Para a deputada, a recuperação da credibilidade depende exclusivamente de ações concretas e transparentes. "A gente resgata orgulho com imparcialidade, colocando o bandido na cadeia e não escondendo sujeira", concluiu Ventura, enfatizando a necessidade urgente de mudanças no sistema político brasileiro.



