Deputada que realizou blackface na Alesp tinha se autodeclarado parda à Justiça Eleitoral; Erika Hilton solicita investigação
A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL), que causou polêmica ao se pintar de tinta marrom no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) nesta quarta-feira, 18 de março de 2026, havia se declarada parda à Justiça Eleitoral ao registrar sua candidatura em 2022. O ato de blackface foi realizado durante um protesto contra a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), recentemente eleita presidente da Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados.
Contradição na autodeclaração racial
Durante a sessão, Fabiana Bolsonaro afirmou: "Vocês estão vendo, sou uma mulher branca, tive os privilégios de uma mulher branca durante toda a minha vida". No entanto, documentos eleitorais mostram que ela se autodeclarou parda em 2022, o que levanta questões sobre a veracidade dessa declaração. A autodeclaração racial é um critério que influencia a distribuição de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (Fundão), tornando o caso ainda mais sensível.
Pedido de investigação por falsidade ideológica eleitoral
Após verificar a autodeclaração de Fabiana Bolsonaro, a deputada Erika Hilton acionou a Justiça Eleitoral e solicitou a instauração de um inquérito. Hilton argumenta que há indícios de que a autodeclaração foi feita de forma indevida, o que poderia configurar o crime de falsidade ideológica eleitoral. Esse crime pode ter implicações legais significativas, incluindo multas e possíveis penalidades eleitorais.
Outras ações legais e éticas em andamento
Além da ação na Justiça Eleitoral, outras parlamentares também tomaram medidas contra Fabiana Bolsonaro. Elas acionaram o Conselho de Ética da Alesp e a polícia convencional para apurar se o ato de blackface constitui o crime de racismo, que é punível com pena de dois a cinco anos de reclusão. Essas ações destacam a gravidade do caso e o impacto nas discussões sobre racismo e ética na política brasileira.
O incidente ocorreu em um contexto de crescente debate sobre representatividade e direitos raciais no Brasil, com a eleição de Erika Hilton, uma mulher negra e trans, para a presidência da Comissão da Mulher. A situação expõe tensões políticas e sociais, levantando questões sobre a responsabilidade dos eleitos em promover a igualdade e combater a discriminação.



