Vereador de Ribeirão Preto é denunciado por 'pobre fazendo pobrice' em grupo de WhatsApp
Denúncia por quebra de decoro atinge vereador de Ribeirão Preto

O vereador André Rodini, do partido Novo, de Ribeirão Preto (SP), tornou-se alvo de uma denúncia por suposta quebra de decoro parlamentar. A representação, protocolada na Câmara Municipal, baseia-se em mensagens trocadas em um grupo fechado de WhatsApp do gabinete do parlamentar, onde ele usou a expressão "pobre fazendo pobrice".

O contexto da mensagem e a defesa do vereador

O fato ocorreu em setembro do ano passado, durante uma conversa sobre a agenda oficial. O diálogo incluía um convite para as comemorações dos 125 anos do Mercado Municipal, evento que teria distribuição de bolo à população. Foi nesse momento que Rodini questionou, no grupo: "Vai ter pobre fazendo pobrice lá pegando bolo com balde?".

Em entrevista, o vereador afirmou estar tranquilo e defendeu que a fala foi uma brincadeira no estilo usual do seu gabinete. Rodini negou ter direcionado o comentário a qualquer pessoa ou ao próprio Mercado Municipal. Ele classificou a denúncia como uma tentativa de prejudicá-lo politicamente em ano eleitoral, atribuindo a autoria a um ex-assessor que teria sido demitido por baixa produtividade.

"Foi um comentário em cima de um meme que a gente sempre usa aqui dentro do gabinete, uma forma jocosa", explicou o parlamentar, acrescentando que não imaginava que uma conversa interna de trabalho pudesse virar motivo de investigação de conduta.

Detalhes da denúncia e reação do ex-assessor

A representação foi formalizada na quinta-feira, 15 de fevereiro, pelo ex-assessor Alexandre Meirelles Nogueira Ribeiro. Ele apresentou prints das conversas como prova. Segundo o documento, dois dias após a mensagem considerada discriminatória, o próprio assessor advertiu Rodini sobre o caráter inadequado da fala.

Na resposta, o ex-funcionário citou até os princípios espíritas para condenar a ridicularização de pessoas pobres, destacando que isso demonstra "orgulho e falta de caridade". Ele também questionou o impacto de um possível vazamento para a mídia. Rodini, então, respondeu que se houvesse vazamento, seria por má-fé de algum membro do grupo.

A denúncia ainda relata que, dois dias após esse episódio, o vereador teria procurado o denunciante para pedir sua saída do cargo. A demissão foi efetivada no início de novembro. Procurado pela reportagem, o ex-assessor não quis se manifestar sobre o caso.

Próximos passos e análise jurídica

De acordo com a Câmara Municipal de Ribeirão Preto, a denúncia deve ser lida em plenário e avaliada pelos vereadores a partir do dia 2 de fevereiro, com a retomada dos trabalhos legislativos. Especialistas em direito eleitoral consultados pela EPTV, afiliada da TV Globo, ponderam que, embora qualquer cidadão tenha legitimidade para representar contra um vereador, é necessário que a denúncia preencha requisitos formais e materiais para motivar uma investigação mais aprofundada que possa levar, por exemplo, a uma cassação do mandato.

Enquanto aguarda o trâmite, André Rodini minimiza o caso. Ele afirma estar mais focado na fiscalização do uso do dinheiro público e no trabalho legislativo. "Fofocas, memes, brincadeiras, eu acho que não têm muita relevância quando o objetivo é entregar para o eleitor o que ele precisa de verdade", declarou, expressando confiança de que a representação não prosperará na Casa.