Defesa de Brazão acredita em inocência, mas prevê condenação no caso Marielle
Defesa de Brazão prevê condenação no caso Marielle

Defesa de Brazão acredita em inocência, mas prevê condenação no caso Marielle

Os advogados de defesa de Chiquinho e Domingos Brazão mantêm a convicção sobre a inocência do ex-deputado federal e do ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro no caso do assassinato da ex-vereadora Marielle Franco. No entanto, eles enxergam como praticamente inevitável a condenação dos irmãos, que serão julgados pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal nesta terça-feira, 24 de junho.

Acusações e réus no processo

Chiquinho e Domingos Brazão estão acusados de serem os mandantes do crime que vitimou Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, no centro do Rio de Janeiro na noite de 14 de março de 2018. A dupla retornava de um evento na Lapa quando foi alvejada por disparos de arma de fogo. No veículo, também estava a assessora da vereadora do PSOL, Fernanda Chaves, única sobrevivente do ataque.

Além dos irmãos Brazão, a Primeira Turma do STF julgará outros três acusados:

  • Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro
  • Ronald Paulo Alves Pereira, major da Polícia Militar
  • Robson Calixto Fonseca, policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão

Segundo a Procuradoria-Geral da República, os irmãos Brazão foram os mandantes do assassinato, enquanto Rivaldo Barbosa teria auxiliado no planejamento do crime. Ronald Paulo é acusado de seguir os movimentos de Marielle, e Robson Calixto, conhecido como "peixe", responde por integrar organização criminosa com os Brazão.

Delação e dúvidas processuais

O ponto de partida das investigações foi a delação do ex-policial militar Ronnie Lessa, assassino confesso de Marielle e Anderson. Lessa é apontado como autor dos treze disparos que mataram a vereadora e seu motorista, enquanto Élcio de Queiroz, também condenado, dirigia o veículo utilizado no crime.

A grande incógnita do processo envolve o ex-chefe de polícia Rivaldo Barbosa. A acusação contra ele se baseia exclusivamente na delação de Ronnie Lessa, sem outras provas concretas que sustentem a participação no planejamento. Isso levanta questionamentos sobre como o Supremo Tribunal Federal irá se posicionar diante de um caso fundamentado principalmente em um acordo de colaboração premiada.

Outro aspecto polêmico é o fato de a Delegacia de Homicídios, então chefiada por Rivaldo, nunca ter identificado os executores do crime durante as investigações iniciais. Especialistas ponderam que dificilmente um único delegado conseguiria, sozinho, obstruir a justiça de forma tão eficaz sem a conivência ou ineficiência do Ministério Público.

Motivações e defesas

De acordo com a acusação, a execução de Marielle Franco foi motivada pela atuação política da vereadora, que estaria atrapalhando interesses dos irmãos Brazão relacionados à regularização de áreas controladas por milícias na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

As defesas dos acusados negaram consistentemente qualquer participação no crime, apontando falhas processuais e sustentando que não existem provas concretas do envolvimento dos réus nas mortes. Em interrogatório no Supremo, todos os acusados negaram qualquer ligação com os assassinatos.

Situação atual dos réus

Chiquinho e Domingos Brazão, Rivaldo Barbosa, Ronald Paulo e Robson Calixto estão presos preventivamente desde 24 de março de 2024, diante do risco de atrapalharem as investigações. Em abril de 2025, Chiquinho Brazão conseguiu o direito de cumprir a prisão em regime domiciliar após a defesa apresentar diagnóstico de múltiplas doenças graves.

Os ex-policiais Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz já foram presos e condenados pela execução do crime em 2019, fechando o ciclo dos executores diretos. Agora, o foco do judiciário se volta para os supostos mandantes e organizadores do assassinato que chocou o Brasil e permanece como um dos casos mais emblemáticos da violência política no país.