CPMI do INSS: R$ 1,2 bi em irregularidades e desafios para 2026
CPMI do INSS tem R$ 1,2 bi em irregularidades e desafios

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) encerrou o ano de 2025 com um balanço expressivo, mas também com uma série de obstáculos políticos e jurídicos que prometem marcar seus trabalhos em 2026. A comissão, que deve terminar oficialmente em 28 de março, já analisou milhares de documentos e identificou valores bilionários em movimentações irregulares.

Os números da investigação e a batalha pelo tempo

Após mais de três meses de atividades, o colegiado acumulou a análise de 4.800 documentos oficiais, a decretação de 48 quebras de sigilo e a oitiva de 26 testemunhas. O dado mais impactante, no entanto, é financeiro: foram identificados R$ 1,2 bilhão em movimentações financeiras incompatíveis com a legalidade.

De acordo com a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), associações e sindicatos são acusados de ter desviado pelo menos R$ 4 bilhões de aposentados e pensionistas por meio de descontos indevidos nos benefícios. Diante da complexidade do caso e do cronograma apertado, 204 parlamentares protocolaram um pedido para estender o prazo da CPMI por mais 120 dias, até julho.

A justificativa é a necessidade de analisar cerca de 1.500 pedidos de quebra de sigilo fiscal e bancário que ainda estão pendentes, além de realizar centenas de oitivas consideradas essenciais para chegar aos beneficiários finais do esquema. A decisão sobre a prorrogação, no entanto, depende do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e enfrenta resistência da base governista, que tem maioria na comissão.

Resistências políticas e limitações jurídicas

O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), retomou a ofensiva para convocar nomes ligados ao governo. Ele apresentou novo requerimento para ouvir Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A convocação havia sido rejeitada em dezembro por 19 votos a 12.

Gaspar alega que o empresário Edson Claro teria denunciado pagamentos do chamado "Careca do INSS", Antônio Carlos Camilo Antuens, para Lulinha. Outro alvo do relator é o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado e próximo de Davi Alcolumbre, devido a seus vínculos com o mesmo empresário.

A base governista, no entanto, tem barrado medidas que possam afetar aliados. A convocação do ex-chefe de gabinete de Alcolumbre, Paulo Boudens – que recebeu R$ 3 milhões de uma empresa investigada – também não foi aprovada. Além das resistências políticas, a CPMI esbarra em decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). A maioria dos depoentes conseguiu liminares e habeas corpus para permanecer em silêncio durante os depoimentos, o que tem frustrado parlamentares de diversos partidos.

O que esperar para os próximos meses

O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que o relator deve apresentar suas primeiras conclusões parciais no início do ano. "Em fevereiro, vamos fazer o balanço do relatório parcial", disse Viana, acrescentando que novas convocações serão votadas se necessárias.

O grande desafio final será a aprovação de um relatório final em um colegiado dominado pela situação. Caso o texto do relator não agrade aos governistas, há a possibilidade de eles elaborarem e aprovarem um relatório paralelo, com o objetivo de preservar a imagem do presidente Lula e desgastar opositores. A comissão retoma suas atividades em fevereiro, com o país de olho no desfecho de uma das investigações mais volumosas e politicamente sensíveis dos últimos anos.