Ex-deputado estadual TH Joias é convocado para depor na CPI do Crime Organizado
O senador Fabiano Contarato (PT-ES), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, confirmou oficialmente a convocação do ex-deputado estadual do Rio de Janeiro, Thiego Raimundo dos Santos Silva, popularmente conhecido como TH Joias, para prestar depoimento nesta quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, no Senado Federal, em Brasília.
Durante a sessão realizada na terça-feira, 24 de fevereiro, o parlamentar enfatizou a importância fundamental da oitiva para um entendimento mais profundo e abrangente sobre os chamados "tentáculos" do crime organizado que se infiltraram de maneira significativa nas estruturas econômicas, financeiras e tecnológicas do país.
Pedido ao STF e importância do depoimento
Segundo informações detalhadas fornecidas pelo senador Contarato, um pedido formal foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o ex-parlamentar deixe temporariamente a unidade prisional onde está atualmente detido e compareça pessoalmente à CPI. No entanto, até o momento da declaração, o senador não havia obtido resposta oficial do tribunal superior.
"A presença do senhor Thiego aqui será imprescindível e absolutamente necessária. Precisamos entender com clareza e precisão como o crime organizado se infiltra na economia formal e quais mecanismos sofisticados são utilizados para mascarar práticas ilícitas", destacou o presidente da comissão com veemência durante sua fala no plenário.
Objetivos da CPI e investigações em andamento
A CPI do Crime Organizado foi criada com o objetivo principal de apurar minuciosamente a atuação, a expansão territorial e o funcionamento operacional de organizações criminosas em todo o território nacional. A comissão busca investigar de forma sistemática as condições de instalação e o desenvolvimento acelerado de facções e milícias para encontrar soluções adequadas e eficazes para enfrentá-las por meio da aplicação rigorosa da lei.
Envolvimento com facções criminosas e histórico do caso
TH Joias foi preso em setembro do ano passado, acusado formalmente de tráfico internacional de drogas, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro em grande escala e fornecimento ilegal de armas de fogo ao Comando Vermelho. As investigações conduzidas pelas autoridades apontam que Thiego teria utilizado seu mandato parlamentar para beneficiar diretamente o crime organizado, atuando como intermediário na compra e venda de drogas e armas para o Complexo do Alemão, uma das mais importantes e estratégicas favelas controladas pelo CV, localizada na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Empresas formalmente ligadas ao ex-parlamentar eram utilizadas de maneira sistemática para lavagem de dinheiro proveniente das atividades ilícitas da facção. Antes filiado ao MDB, ele foi expulso do partido imediatamente após sua prisão, em um movimento de distanciamento político.
Em dezembro do ano passado, TH Joias foi transferido de uma unidade prisional no Rio de Janeiro para o Presídio Federal de Brasília, onde permanece detido atualmente. O ex-deputado nasceu no Morro do Fubá, comunidade economicamente vulnerável da Zona Norte carioca, onde seu pai exercia a função de presidente da associação de moradores e trabalhava profissionalmente com compra e venda de ouro.
Sua entrada na política se deu ao se aproximar estrategicamente de Marcos Falcon, então presidente da escola de samba Portela, que concorria a uma vaga como vereador e foi tragicamente assassinado poucos dias antes da votação, em um episódio que marcou profundamente a trajetória política da região.



