CPI do Crime Organizado avança em investigação sobre Banco Master e convoca irmãos de ministro do STF
A CPI do Crime Organizado aprovou, nesta quarta-feira (25), medidas significativas em sua investigação sobre o Banco Master e a gestora de fundos Reag. A comissão decidiu convocar para depor os irmãos do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e autorizou a quebra do sigilo da empresa da família, a Maridt.
Irmãos de Toffoli são chamados para prestar esclarecimentos
Os irmãos do ministro, José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, foram formalmente convocados pela CPI. A comissão busca ouvi-los sobre as relações comerciais com a Reag, gestora de fundos vinculada ao Banco Master. Em 2021, os dois irmãos venderam, por meio da empresa Maridt, parte das cotas que detinham no resort Tayayá, localizado no Paraná, para um fundo controlado pela Reag.
Em fevereiro, o ministro Dias Toffoli admitiu publicamente ser sócio da Maridt, mas negou veementemente qualquer irregularidade na operação. Após essa declaração, ele decidiu deixar a relatoria do caso Master no Supremo Tribunal Federal, evitando possíveis conflitos de interesse.
Investigação da Polícia Federal e quebra de sigilos
A Polícia Federal conduz investigações separadas sobre a Reag e o Banco Master, com suspeitas de fraude contra o sistema financeiro nacional. Em paralelo, a CPI aprovou a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do Banco Master, da empresa Maridt e da própria Reag, ampliando o escopo das apurações.
Além dos irmãos de Toffoli, a comissão convocou outros executivos ligados às instituições financeiras em questão, incluindo:
- Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master
- Executivos do Banco de Brasília
- Representantes da gestora Reag
Convites a autoridades e ex-ministros
A CPI também aprovou convites para que outras figuras de destaque falem sobre o caso do Banco Master, embora sem obrigatoriedade de comparecimento. Entre os convidados estão:
- O ministro Dias Toffoli do STF
- O ministro Alexandre de Moraes, também do Supremo
- A advogada Viviane Barci, esposa de Moraes
- O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto
- O ex-ministro da Economia, Paulo Guedes
Não há data definida para a realização dessas audiências, que dependerão da disponibilidade dos convidados.
Objetivos da comissão parlamentar de inquérito
A CPI do Crime Organizado tem como principal objetivo esclarecer se eventuais falhas na regulação e supervisão do sistema financeiro brasileiro permitiram a expansão de esquemas de lavagem de dinheiro e outras irregularidades. As investigações focam em possíveis conexões entre instituições financeiras, empresas e figuras públicas, buscando transparência e responsabilização onde for necessário.
As medidas aprovadas nesta quarta-feira representam um avanço significativo nas apurações, que devem continuar nos próximos meses com a coleta de depoimentos e análise de documentos sigilosos agora acessíveis à comissão.



