CPI do Crime Organizado avança em investigações sobre ligações com alto escalão do poder
A CPI do Crime Organizado aprovou, nesta quarta-feira (25), uma série de medidas investigativas que atingem figuras de destaque no cenário político e jurídico brasileiro. Os senadores autorizaram os pedidos de convocação dos irmãos do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e determinaram a quebra do sigilo da Maridt Participações S.A., empresa da qual o magistrado é sócio.
Convocatórias amplas incluem ex-ministro e ex-presidente do BC
Além dos familiares de Toffoli, a comissão também aprovou a convocação do ex-ministro da Economia do governo Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, e de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central. Outra decisão significativa foi o convite de comparecimento da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, também do STF, e de outras empresas vinculadas ao Banco Master.
No entanto, o pedido de convocação de Letícia Caetano dos Reis, administradora do escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apresentado pelo senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), foi rejeitado pelos parlamentares.
Medidas fundamentais para combater infiltração criminal, diz relator
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator do grupo, defendeu que as medidas aprovadas são "fundamentais para ajudar o Brasil a entender e combater a infiltração do crime nas mais altas camadas do poder público". A investigação ganhou força após a Polícia Federal consultar o STF sobre uma possível suspeição do ministro Toffoli em relação ao Banco Master, baseando-se em mensagens encontradas no celular do dono da instituição, Daniel Vorcaro, que mencionavam o magistrado.
Ligações empresariais e contratos milionários em foco
Conforme revelado pela Folha de S. Paulo, a empresa dos irmãos Toffoli dividiu o controle do Tayayá, no Paraná, com o fundo de investimentos Arleen durante quatro anos (entre 2021 e 2025). Este fundo integra a rede de fundos fraudulentos do Banco Master e é de propriedade de outro fundo, o Leal, que pertenceria a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro.
Em nota anterior, Toffoli afirmou nunca ter sabido quem era o gestor do Arleen e negou qualquer relação de amizade, especialmente íntima, com o investigado Vorcaro.
Contrato milionário com escritório de advogada de ministro do STF
A motivação para o convite à advogada Viviane Barci de Moraes surgiu após a revelação, pelo jornal O Globo, de que o Banco Master contratou seu escritório de advocacia por R$ 3,6 milhões mensais. O contrato, com validade de 36 meses a partir do início de 2024, renderia aproximadamente R$ 129 milhões até o início de 2027, caso o banco não tivesse sido liquidado pelo Banco Central.
O acordo previa a representação do Master perante órgãos como Banco Central, Receita Federal e Congresso Nacional, sem uma causa específica, além da organização e coordenação estratégica perante o Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal. Dois filhos do casal Moraes também integram o escritório.
Na ocasião da reportagem, o gabinete de Moraes, a defesa de Vorcaro, a assessoria e o escritório Barci de Moraes não se pronunciaram sobre o contrato.



