Conexões de Toffoli com Banco Master sob investigação da PF em relatório detalhado
Os questionamentos sobre as conexões do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, intensificaram-se desde que a primeira relação entre os dois foi revelada pela Folha de S.Paulo em janeiro. Agora, essas questões podem ser esclarecidas ao longo da investigação da Polícia Federal sobre o caso, que elaborou um relatório de 200 páginas entregue ao presidente do STF, Edson Fachin, em fevereiro.
Investigação avança sem Toffoli como alvo direto
O ministro não é formalmente investigado pela PF, pois isso exigiria autorização do próprio Supremo. No entanto, como mostrou a Folha de S.Paulo, os investigadores suspeitam de crimes financeiros em fundos associados ao resort Tayayá, do qual a família do magistrado foi ex-sócia. Os achados da PF não foram suficientes para Fachin autorizar uma investigação contra Toffoli, mas resultaram na sua saída da relatoria do caso, que passou para o ministro André Mendonça. Qualquer progresso nas investigações contra Toffoli dependerá agora das decisões de Mendonça.
Diálogos revelam repasses milionários
No relatório, a PF incluiu diálogos entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, discutindo pagamentos para Toffoli. Essas conversas indicam que o ex-banqueiro ordenou repasses totalizando R$ 35 milhões ao ministro. Em maio de 2024, Vorcaro perguntou a Zettel sobre a situação dos repasses via WhatsApp, com Zettel confirmando pagamentos de R$ 20 milhões anteriormente e mais R$ 15 milhões recentemente. A PF interpreta isso como evidência de transações financeiras suspeitas ligadas ao empreendimento Tayayá.
Origens da conexão e atuação judicial
A primeira conexão pública entre Toffoli e Vorcaro surgiu em reportagem de 11 de janeiro, mostrando que o resort Tayayá, no interior do Paraná, teve como sócios uma empresa de dois irmãos do ministro e um fundo parte da rede fraudulenta atribuída ao Banco Master. Na época, atos de Toffoli à frente do caso causaram estranhamento, como a convocação de uma acareação em dezembro que colocava um diretor do Banco Central como investigado, alinhando-se à defesa de Vorcaro. Diante da repercussão, Toffoli alterou a solicitação para depoimentos individuais, realizados enquanto ele estava hospedado no resort Tayayá.
Detalhes da parceria no resort Tayayá
A parceria no resort localizado em Rio Claro (PR) iniciou-se em setembro de 2021, quando a Maridt Participações S.A., empresa do ministro com seus irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, vendeu metade de sua participação no empreendimento ao fundo de investimentos Arleen por pouco mais de R$ 3 milhões. O Arleen integra uma extensa cadeia de fundos utilizados pelo Master, conforme investigações da PF e do Banco Central. O controlador do fundo é Fabiano Zettel, pastor e operador financeiro de Vorcaro, através de outro fundo, o Leal. A Maridt deixou a sociedade em fevereiro do ano passado, quando sua participação restante foi adquirida pelo empresário Paulo Humberto Barbosa, um advogado goiano com histórico de atuação para a JBS.
Defesa de Toffoli e silêncio de Vorcaro
Em nota, o ministro Dias Toffoli afirmou que "jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro" e que "jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel". Ele destacou que a Maridt é uma empresa familiar, com declarações aprovadas pela Receita Federal, e que as vendas de participações no Tayayá foram realizadas dentro do valor de mercado e devidamente declaradas. A defesa de Daniel Vorcaro optou por não se pronunciar sobre o caso.
Este cenário complexo envolve múltiplas camadas de investigação, desde transações financeiras obscuras até possíveis conflitos de interesse no âmbito do poder judiciário, mantendo o caso sob intenso escrutínio público e legal.



