Câmara de Guarapuava mantém vereador condenado por atropelamento fatal no Paraná
O Conselho de Ética da Câmara de Vereadores de Guarapuava, na região central do Paraná, decidiu, na segunda-feira (16), não afastar imediatamente o vereador Kenny Rogers, conhecido como "Kenny do Cartório" (MDB). Ele foi condenado por dirigir embriagado e atropelar mortalmente um idoso em dezembro de 2024. A decisão contraria um pedido do Ministério Público Eleitoral, que solicitava o afastamento por quebra de decoro parlamentar.
Condenação e pedido de afastamento
Kenny Rogers foi condenado em janeiro a 7 anos, 5 meses e 24 dias de prisão, em regime semiaberto, pelo atropelamento que resultou na morte de José Maceno de Almeida, de 82 anos. O acidente ocorreu na Avenida Vereador Rubem Siqueira Ribas, poucos dias antes da posse do político como vereador. Imagens de segurança registraram o momento em que o carro, dirigido por Kenny, avançou na calçada, atingiu o idoso, bateu em um barranco e capotou.
O Ministério Público Eleitoral argumentou que o vereador violou o regimento interno da Câmara ao dirigir sob efeito de álcool, causar a morte da vítima e não prestar socorro. Para o órgão, essa conduta fere o decoro parlamentar e justificaria o afastamento imediato. Em manifestação, a promotoria destacou a gravidade do caso, embora o pedido tivesse caráter de recomendação, sem obrigação legal de cumprimento.
Processo de defesa e próximos passos
O Conselho de Ética optou por abrir prazo para que o vereador apresente sua defesa antes de qualquer decisão sobre o mandato. O colegiado informou que encaminhou as denúncias e documentos a Kenny Rogers para garantir o direito de defesa. Após essa etapa, o processo seguirá para análise das provas e eventual decisão sobre afastamento ou cassação do mandato.
O advogado Marinaldo Rattes, que atua na defesa do vereador, afirmou que recorreu da sentença criminal e que somente é possível a perda do cargo mediante sentença condenatória com trânsito em julgado, ou seja, quando o caso percorrer todas as instâncias da Justiça. Ele contestou a embriaguez ao volante e destacou erros no termo de constatação apresentado pela polícia.
Detalhes do caso e contexto político
Na época do atropelamento, Kenny Rogers foi preso em flagrante, mas liberado em menos de 48 horas, respondendo ao processo em liberdade. Segundo a denúncia do Ministério Público do Paraná, ele dirigia embriagado, em alta velocidade e com a CNH cassada. Testemunhas relataram que o político tentou fugir do local em um carro de outra vereadora da cidade, que fechou acordo para não responder criminalmente.
Kenny Rogers, de 34 anos, é empresário e foi eleito vereador em 2024 com 1.294 votos pelo MDB, após ter sido suplente em 2020. Diplomado em dezembro de 2024, ele assumiu o cargo em janeiro de 2025. A Câmara de Guarapuava emitiu nota reafirmando compromisso com transparência e legalidade, garantindo que os procedimentos sejam conduzidos com respeito ao contraditório e à ampla defesa.
O caso continua sob análise, com a possibilidade de cassação do mandato dependendo do resultado do recurso e das deliberações do Conselho de Ética. A decisão inicial de manter o vereador no cargo gera debates sobre a aplicação de normas de conduta parlamentar em situações de grave violação.



