Centrão avalia impacto da prisão de Vorcaro no calendário pré-eleitoral do Congresso
Lideranças do Centrão acreditam que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de manter o banqueiro Daniel Vorcaro atrás das grades deixará o Congresso Nacional com o calendário ainda mais esvaziado durante o período pré-eleitoral. Parlamentares avaliam que o clima de desconfiança é generalizado, e ninguém sabe até onde chegarão as investigações envolvendo o dono do Banco Master.
Clima de incerteza e cálculos políticos
Segundo fontes ouvidas pelo Radar, todos os passos dos atores políticos devem ser cuidadosamente calculados nos próximos meses. A aposta é que comissões parlamentares de inquérito (CPIs) sobre o Banco Master, apesar da pressão interna e do apelo popular, não devem prosperar. Há uma leitura consolidada de que esse tipo de colegiado contaminaria a agenda legislativa, inviabilizando o andamento de outras medidas prioritárias.
Além disso, a iniciativa politizaria ainda mais um assunto que já é altamente politizado, em função do suposto envolvimento de figuras políticas com o banqueiro. Como já há uma investigação em curso conduzida pelas autoridades competentes, melhor deixar o caso com quem já tem essa prerrogativa, avaliam as fontes do Centrão.
Estratégia do STF e riscos de delação
Para alguns dos líderes do bloco de partidos de centro, a decisão dos magistrados do Supremo de manter Vorcaro na prisão teria sido muito trabalhada internamente, com o objetivo claro de tirar os próprios ministros do radar das investigações. A avaliação é que, se votassem para libertar o banqueiro, eles se colocariam novamente dentro do caso – como estavam quando o ministro Dias Toffoli estava na relatoria –, já que optariam por liberá-lo para que ele fosse menos pressionado a delatar.
Com a permanência na prisão, expoentes do Centrão acreditam que, ainda que a defesa negue que esteja mirando uma delação premiada, caso as investigações avancem significativamente e coloquem Vorcaro em um cenário incontornável, ele não terá outra alternativa a não ser falar. Essa possibilidade gera apreensão entre os parlamentares, que temem o desdobramento das apurações.
O banqueiro Daniel Vorcaro é investigado por fraudes bancárias e por supostamente comandar uma milícia para intimidar opositores. O caso tem reverberado fortemente no cenário político brasileiro, especialmente em um momento de preparação para as eleições, onde cada movimento é analisado com lupa pelos atores envolvidos.



