Ex-presidente Bill Clinton depõe ao Congresso dos EUA sobre caso Epstein
Um dia após a ex-secretária de Estado Hillary Clinton depor perante deputados dos Estados Unidos sobre o caso envolvendo o financista Jeffrey Epstein, seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, enfrentou o questionamento dos parlamentares nesta sexta-feira (27). O depoimento, realizado a portas fechadas em Chappaqua, Nova York, marca um momento histórico: é a primeira vez que um ex-presidente americano é obrigado a testemunhar perante o Congresso.
Declarações de Hillary Clinton e contexto do caso
Na quinta-feira, durante seu depoimento, Hillary Clinton afirmou com veemência que tem "100% de certeza" de que Bill Clinton não sabe nada sobre os crimes de Jeffrey Epstein. Ela também declarou que não possuía qualquer informação sobre as atividades criminosas do bilionário e, em um movimento estratégico, pediu aos legisladores que questionassem o ex-presidente Donald Trump sobre Epstein sob juramento.
Os Clintons deveriam ter se apresentado à comissão em 2025, mas conflitos de agenda adiaram os testemunhos. Hillary depôs após ser intimada pela Comissão de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara, que tem maioria republicana, partido de Trump, e busca associar o escândalo Epstein a figuras democratas.
Acusações de perseguição política e detalhes do depoimento
Em janeiro deste ano, o casal Clinton divulgou uma carta denunciando perseguição por parte do presidente do comitê, o deputado republicano James Comer. Eles chegaram a ser alvo de uma denúncia de desacato pela recusa inicial em depor, o que poderia acarretar consequências legais significativas.
Durante seu depoimento, Hillary mencionou que as perguntas incluíam tópicos "incomuns", como "OVNIs" e "Pizzagate", e reafirmou que nunca conheceu Jeffrey Epstein pessoalmente. Seus porta-vozes alegam que a convocação é uma manobra política, já que Hillary não aparece nos arquivos de Epstein.
Implicações para Bill Clinton e disputa partidária
Bill Clinton, no entanto, aparece em imagens ao lado de Epstein, inclusive realizando voos particulares com o financista. Apesar disso, não há acusações formais contra o ex-presidente. Seu porta-voz, Angel Ureña, afirmou que Clinton rompeu relações com Epstein muito antes dos crimes virem à tona, declarando: "Eles podem divulgar quantas fotos de mais de 20 anos quiserem, mas isso não é sobre Bill Clinton."
Democratas, incluindo os Clintons, acusam os republicanos de tentar desviar a atenção das relações próximas entre Epstein e Donald Trump. O ex-presidente republicano é mencionado diversas vezes nos arquivos do caso e também aparece em fotos com o milionário. Arquivos revelados no fim do ano passado mostram um e-mail de Epstein afirmando que Trump "sabia" sobre as "garotas" envolvidas no escândalo.
Conclusão e impacto no cenário político
O depoimento de Bill Clinton ocorre em um contexto de intensa polarização política, com republicanos usando o caso para atacar figuras democratas, enquanto estes contra-atacam focando nas conexões de Trump. A situação destaca como escândalos sexuais e investigações congressuais continuam a moldar as narrativas políticas nos Estados Unidos, com implicações potenciais para futuras eleições e a reputação de líderes históricos.



