Anotações confidenciais de Flávio Bolsonaro expõem negociações milionárias no mercado eleitoral
Documentos manuscritos do senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, revelaram bastidores preocupantes das negociações eleitorais no Partido Liberal. As anotações, acessadas por repórteres após reunião da cúpula partidária em Brasília, detalham supostos pedidos de valores exorbitantes para definição de candidaturas em vários estados.
Mato Grosso do Sul: cenário de negociações milionárias
Entre as revelações mais impactantes está a referência ao deputado federal Marcos Pollon, do PL do Mato Grosso do Sul. Nas anotações, Flávio Bolsonaro escreveu claramente: "Pollon (pediu 15 mi para não ser candidato)". Essa informação sugere que, no mercado eleitoral sul-mato-grossense, a renúncia a uma vaga na Câmara dos Deputados estaria sendo cotada em impressionantes 15 milhões de reais, equivalente a aproximadamente três milhões de dólares.
O deputado Pollon reagiu imediatamente às acusações, negando veementemente qualquer participação em tal negociação. Em suas declarações, classificou a situação como "uma campanha de assassinato de reputação" e recebeu apoio público de Flávio Bolsonaro, que atribuiu a revelação a distorções da imprensa.
Outros casos revelados nas anotações
As indiscrições do senador não se limitaram ao caso Pollon. Em outro registro, Flávio Bolsonaro mencionou: "Mulher Rodolpho (pediu 5 mi)", referindo-se supostamente a Gianni Nogueira, esposa do deputado federal Rodolfo Nogueira, também do PL. Segundo as anotações, ela teria solicitado 5 milhões de reais (cerca de um milhão de dólares) para entrar na disputa por uma vaga no Senado Federal.
O deputado Nogueira negou categoricamente o pedido milionário atribuído à esposa, afirmando que ela "tem apoio de Jair Bolsonaro" para sua eventual candidatura, sem necessidade de transações financeiras.
Contexto político e estratégias familiares
As revelações ocorrem em um momento delicado para a família Bolsonaro. Enquanto Flávio Bolsonaro atua como principal articulador político do partido, seu pai, Jair Bolsonaro, cumpre pena de mais de 27 anos de prisão por crimes contra a Constituição, incluindo tentativa de golpe de estado.
Segundo informações contidas no material, o ex-presidente utiliza seu tempo na prisão para montar o mapa das candidaturas do PL, com objetivo ambicioso de eleger 41 senadores. Essa estratégia teria como finalidade pressionar por impeachment os ministros do Supremo Tribunal Federal responsáveis por sua condenação.
Repercussão e negações
Além dos casos no Mato Grosso do Sul, as anotações de Flávio Bolsonaro mencionam outras figuras políticas:
- O vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), aparece vinculado a um símbolo de dinheiro com seta, enquanto enfrenta investigação por lavagem de dinheiro em paraíso fiscal
- André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa paulista, é citado com a anotação "Vice?", sugerindo possível substituição na chapa do governador Tarcísio de Freitas
As revelações surgiram após reunião da cúpula do Partido Liberal que analisou a situação eleitoral na maioria dos estados brasileiros, sempre na perspectiva dos interesses do senador Flávio Bolsonaro. O aparente descuido na guarda dos documentos permitiu que repórteres tivessem acesso a informações consideradas confidenciais sobre as alianças estaduais em formação.
O episódio levanta questões éticas sobre o funcionamento do mercado eleitoral brasileiro e a transparência nas negociações partidárias, especialmente em um ano de eleições municipais que antecede o grande pleito presidencial de 2026.



