Davi Alcolumbre teme aliados em investigações do INSS e Banco Master coordenadas por Mendonça
Alcolumbre teme aliados em investigações do INSS e Master

Aliados de Alcolumbre na mira de investigações do INSS e Banco Master coordenadas por Mendonça

A ascensão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça ao posto de coordenador de duas investigações de grande impacto político tem causado apreensão significativa em setores da classe política, especialmente no presidente do Senado Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). As apurações envolvem o bilionário escândalo do INSS e as traficâncias do Banco Master, ambos com potencial para influenciar diretamente os rumos das eleições de outubro.

Relação conflituosa e implicações políticas

Alcolumbre possui uma relação historicamente conflituosa com o ministro Mendonça, que remonta a 2021 quando o senador, então comandando a comissão de sabatina, trabalhou abertamente para emplacar Augusto Aras no STF em vez do nome indicado. Mendonça teve que aguardar quatro meses antes de ter sua confirmação, em um episódio que gerou atritos profundos entre as duas figuras políticas.

Hoje, o ministro assume um papel central nas investigações que podem expor vínculos entre aliados do parlamentar e esquemas de corrupção. Mendonça tem a responsabilidade de acessar a lista de políticos com conexões com o ex-dono do Banco Master, analisar eventuais crimes cometidos em parceria com o empresário Daniel Vorcaro, e escrutinar todas as provas reunidas pela Polícia Federal, Ministério Público e Banco Central contra a instituição financeira.

Investigação do INSS e repasses milionários

Na CPI mista que investiga o esquema de corrupção no INSS, foram identificados repasses de 3 milhões de reais do empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", para um ex-assessor do senador Alcolumbre. As investigações apontam que o sigilo imposto pelo presidente do Senado às entradas do lobista no Congresso Nacional pode ter como objetivo blindar possíveis vínculos com o personagem central da fraude contra pensionistas.

Além disso, a comissão parlamentar de inquérito (CPI) investiga o Banco Master por vender carteiras de crédito consignado a aposentados, prática que teria prejudicado milhares de beneficiários do sistema previdenciário.

Conexões com o Banco Master e investimentos questionáveis

O fundo de previdência de servidores do Amapá (Amaprev), que até recentemente era pilotado por um homem de confiança de Alcolumbre, investiu impressionantes 400 milhões de reais em papéis podres do Banco Master durante o período em que o presidente da caixa de previdência era Jocildo Lemos.

Lemos, ex-tesoureiro da campanha de Alcolumbre e indicado por ele ao cargo, já havia sido preso em outra operação acusado de traficar influência no estado e renunciou após ser alvo de buscas da Polícia Federal. A nomeação de Alberto Alcolumbre, irmão do senador, para cargos estratégicos no Amaprev também chama atenção nas investigações.

Medidas recentes e impacto eleitoral

Na sexta-feira, 20 de fevereiro, o ministro Mendonça determinou que a Polícia Federal envie à comissão de inquérito dados cruciais para as investigações, incluindo o acervo contido no telefone celular de Daniel Vorcaro e informações recolhidas das quebras de sigilo fiscal, bancário e telemático do banqueiro. Esta decisão retirou do senador Alcolumbre um de seus principais trunfos no caso Master.

Alcolumbre, notório por sua capacidade de sobreviver a escândalos políticos - desde o esquema de rachadinha em seu próprio gabinete revelado em 2019 até apurações sobre desvios milionários de emendas parlamentares na Operação Overclean - enfrenta agora um de seus maiores desafios políticos. A proximidade do parlamentar com Vorcaro e as implicações de seus aliados nas duas investigações coordenadas por Mendonça criam um cenário de alta tensão às vésperas das eleições.

Embora o ministro Mendonça afirme a interlocutores não guardar ressentimentos dos episódios do passado, a situação atual coloca os dois em lados opostos de investigações que podem redefinir o panorama político brasileiro. A capacidade de Alcolumbre de navegar por mais esta crise política será testada como nunca antes, com consequências que podem se estender muito além de seu mandato no Senado.