Justiça condena 14 pessoas por desvio de combustível do Iapen no Acre
14 condenados por desvio de combustível do Iapen no Acre

Justiça condena 14 pessoas por esquema milionário de desvio de combustível do Iapen no Acre

A Justiça do Acre condenou um ex-servidor comissionado e outras treze pessoas por envolvimento em um esquema criminoso que desviava gasolina e óleo diesel do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen-AC). A decisão foi proferida pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas da Comarca de Rio Branco nesta segunda-feira (2), com possibilidade de recurso por parte dos condenados, que permanecerão em liberdade durante o processo de apelação.

Esquema organizado causou prejuízo de mais de R$ 4 milhões

As investigações da Polícia Civil revelaram que o esquema funcionou de 2018 a novembro de 2021, quando foi deflagrada a primeira fase da Operação Ouro Negro. Segundo os dados coletados, aproximadamente 10 mil litros de combustível eram desviados mensalmente, gerando um prejuízo estimado em mais de R$ 4 milhões aos cofres públicos do estado do Acre.

O material era revendido a empresários e fazendeiros por cerca de R$ 1,50 por litro, valor significativamente abaixo do praticado nos postos de combustível convencionais. Cada abastecimento irregular variava entre 1 mil e 3 mil litros, conforme apontado pelas provas do processo.

Condenações por peculato, receptação e associação criminosa

Os 14 réus responderam pelos crimes de peculato, receptação e associação criminosa. Quatro deles foram condenados como integrantes diretos do grupo que executava os desvios, enquanto os outros dez foram identificados como clientes que adquiriam o combustível de forma irregular.

O Instituto de Administração Penitenciária do Acre emitiu nota informando que o servidor envolvido foi devidamente desligado do órgão assim que as investigações começaram, como medida administrativa cabível diante das acusações.

Principais condenados e suas penas

Entre os condenados, destacam-se:

  • José Júnior de Paula Moraes - 13 anos, 10 meses e 20 dias de prisão em regime inicial fechado. Ex-CEC-5 e chefe de transportes do Iapen, era responsável por liberar o combustível no sistema de gestão de abastecimento da autarquia.
  • Luziel Santiago dos Santos - 11 anos de prisão em regime inicial fechado. Apontado como operador logístico do esquema, era chefe em um posto de combustíveis frequentemente utilizado pelo grupo.
  • Damasceno Inglez Cardoso - 14 anos de prisão em regime inicial fechado. Identificado como responsável pela absorção e escoamento do combustível desviado.

Os demais condenados, incluindo empresários e fazendeiros, receberam penas que variam de 7 anos e 11 meses a 9 anos e 6 meses de prisão, com regimes inicial fechado ou semiaberto conforme o envolvimento de cada um.

Defesas contestam condenações

Algumas defesas já se manifestaram contra as decisões judiciais. A advogada de Luziel Santiago dos Santos argumentou que seu cliente não poderia ser condenado por peculato, pois não era funcionário público, limitando-se a cumprir ordens de seu empregador no posto de gasolina.

Já a defesa de Gilvan Onofre Tessinari e Valberto Tessinari Leite classificou as penas como "desproporcionais e descabidas", alegando que não existem elementos concretos que sustentem a condenação de seus clientes. Os advogados afirmaram que utilizarão todos os mecanismos jurídicos cabíveis para buscar a reforma da decisão.

Operação policial e investigações

A Operação Ouro Negro identificou mais de 10 empresários e fazendeiros como compradores do combustível desviado, que também deverão responder criminalmente. Durante o cumprimento de mandados de busca, dois desses empresários foram presos em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.

A sentença foi assinada pela juíza Deise Denise Minuscoli, que considerou as interceptações telefônicas e outras provas coletadas durante as investigações como elementos suficientes para as condenações. O caso segue com possibilidade de recursos, mantendo-se em aberto o capítulo final desta trama que lesou significativamente o erário público acreano.