O prefeito de Itu (SP), Herculano Passos (Republicanos), solicitou à Câmara Municipal que investigue o vereador Moacir Cova (Podemos) por suposta quebra de decoro parlamentar. O pedido, formalizado em 5 de maio, baseia-se em uma série de acusações, incluindo um vídeo em que o parlamentar, que também é policial civil, aparece efetuando disparos próximos a cães durante uma operação policial, além de relatos de que ele frequenta escolas municipais portando arma de fogo.
Acusações contra o vereador
O ofício, com mais de 100 páginas, fundamentado em parecer da Procuradoria Geral do Município (PGM), lista as principais acusações contra Moacir Cova:
- Disparos em operação: um vídeo mostra o vereador atirando ao lado de cães durante uma operação contra o tráfico de drogas.
- Entrada em escolas armado: o documento aponta que o vereador tem frequentado escolas municipais portando arma de fogo, gerando medo em servidores e alunos.
- Conduta nas redes sociais: o ofício cita vídeos de “fiscalizações” em que Moacir Cova aparece “bastante revoltado, gritando, gesticulando” em hospitais e escolas.
Com base nas denúncias, a prefeitura solicita que a Câmara Municipal apure a conduta por quebra de decoro parlamentar. O mesmo pedido foi enviado ao Ministério Público (MP) e à Corregedoria-Geral da Polícia Civil. À Corregedoria, a prefeitura pede o afastamento preventivo do agente e a suspensão de seu porte de arma.
Resposta do vereador
O g1 entrou em contato com o vereador Moacir Cova para pedir um posicionamento sobre as acusações, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Em ocasião anterior, em 11 de abril, o vereador confirmou que realizou os disparos durante a operação policial, mas alegou que agiu em “estado de necessidade” para se defender de cães que o atacavam. “Não foi acidental, foi para espantar cães que estavam me mordendo, mas atirei ao chão que era terra e em uma distância segura [...] Nenhum dos animais ficou ferido”, afirmou. O vereador também sugeriu que a divulgação das imagens teve motivação política, com o intuito de prejudicá-lo, e questionou quais outras opções teria no momento. “É preciso analisar o contexto geral. Eu não tinha outros meios, naquele momento, para cessar uma ameaça, tinha? [...] Por outro lado, o tiro, desferido por um profissional, em local seguro, [...] machucou alguém? Feriu algum cachorro?”, questionou.
Operação policial
A operação policial em que o fato ocorreu, segundo a polícia, resultou na prisão de duas pessoas e na apreensão de maconha, um simulacro de arma de fogo e celulares.



