Polícia Civil efetua prisão por crime brutal em Guarapari
A Polícia Civil do Espírito Santo anunciou a prisão de um suspeito pelo assassinato de Dante de Brito Michelini, de 76 anos, encontrado morto em condições extremamente violentas em um sítio na região de Meaípe, em Guarapari. O crime, descoberto no último dia 3, chocou a comunidade local e reacendeu discussões sobre o passado judicial da vítima.
Detalhes macabros do crime
O corpo de Michelini foi localizado decapitado e carbonizado dentro de uma estrutura incendiada na propriedade rural. A identificação foi confirmada através de exame papiloscópico realizado pela Polícia Científica e por um dos irmãos da vítima, que compareceu ao local poucas horas após a descoberta.
Desde então, as autoridades têm realizado buscas intensivas com o apoio de cães farejadores da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros para tentar localizar a cabeça da vítima, que permanece desaparecida. Uma piscina no sítio chegou a ser esvaziada após apresentar odor suspeito, mas apenas restos de tartarugas foram encontrados.
Suspeito veio da Bahia
O homem preso é natural da Bahia e estava residindo em Guarapari há alguns meses. O delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, limitou-se a confirmar que "trata-se de um caso solucionado", prometendo divulgar mais detalhes em coletiva de imprensa. A informação sobre a prisão foi divulgada inicialmente pela colunista Vilamara Fernandes, do jornal A Gazeta.
Ligação histórica com o caso Araceli
Dante Michelini, conhecido como 'Dantinho', era uma figura controversa no Espírito Santo por seu envolvimento no emblemático caso Araceli. Em 1973, ele foi um dos três principais acusados pelo assassinato da menina Araceli Cabrera Crespo, então com 8 anos, que foi raptada, drogada, estuprada, morta e carbonizada em Vitória.
Embora tenha sido inicialmente condenado em 1980, Michelini teve sua sentença anulada pelo Tribunal de Justiça do ES e, após cinco anos de novo processo, foi absolvido por falta de provas junto com os outros réus. O crime contra Araceli nunca teve responsáveis punidos e se tornou símbolo nacional da luta contra a violência infantil, dando origem ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes em 18 de maio.
Investigações em andamento
As equipes policiais retomaram as buscas nesta quarta-feira (11) na região do sítio, na expectativa de que o suspeito preso indique o local onde descartou a cabeça da vítima. Paralelamente, os investigadores estão ouvindo familiares e pessoas que tiveram contato recente com Michelini para reconstruir sua rotina e identificar possíveis motivações para o crime.
Um dos aspectos apurados é a informação de que a família teria colocado o sítio à venda recentemente. As autoridades afirmam que, até o momento, não há indícios que relacionem este assassinato com o histórico caso Araceli, tratando-se de investigações separadas.
Contexto familiar e social
Dante Michelini pertencia a uma das famílias mais tradicionais e influentes do Espírito Santo. Seu avô, que tinha o mesmo nome, dá título a uma das principais avenidas de Vitória. Ao longo dos anos, a família manteve reserva sobre o caso Araceli, com raras declarações públicas.
Em 1993, seu pai, Dante de Barros Michelini, negou qualquer envolvimento familiar com o crime, afirmando em entrevista que "nem eu, nem meu filho conhecíamos a Araceli, nem a mãe, nem o pai, nem coisa nenhuma. Fomos ligados ao caso após uma notícia de um jornal local".
A brutalidade do crime atual e o histórico judicial da vítima mantêm o caso sob intenso foco das autoridades e da opinião pública capixaba.



