Justiça condena Kalil por nepotismo ao nomear irmão de ex-namorada
Justiça condena Kalil por nepotismo em BH

Justiça condena Kalil por nepotismo na nomeação de irmão de ex-namorada

A Justiça de Minas Gerais condenou o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), por improbidade administrativa devido à prática de nepotismo. A decisão, em primeira instância, envolve a nomeação de Marcelo Amarante Guimarães para um cargo comissionado na Fundação de Parques Municipais, em outubro de 2020. Cabe recurso.

Entenda o caso

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apontou que Marcelo Amarante é irmão de Fernanda Amarante Guimarães, assessora jurídica no gabinete do prefeito desde 2017, o que configura nepotismo. Fernanda foi namorada de Kalil entre 2011 e 2012. A defesa de Kalil sustentou que os irmãos atuavam em pessoas jurídicas distintas e que o relacionamento amoroso, ocorrido há quase uma década, não tem relevância jurídica. Já Marcelo Amarante destacou sua qualificação técnica como médico veterinário e o interesse público na nomeação para controle de zoonoses e manejo de felinos no Parque Municipal.

No entanto, o juiz Danilo Couto Lobato Bicalho, da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Municipal, entendeu que o dolo no caso é direto, específico e imediato. O magistrado considerou depoimentos que confirmaram que a nomeação de Marcelo foi determinada diretamente pelo gabinete de Kalil. Ele destacou que o problema está no vínculo de parentesco entre dois ocupantes de cargos de recrutamento amplo na mesma estrutura administrativa municipal, sob influência direta do chefe do Executivo.

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Decisão judicial

De acordo com o juiz, a qualificação técnica de Marcelo é irrelevante, pois a improbidade por nepotismo não se baseia na incapacidade técnica, mas na violação aos deveres de impessoalidade e moralidade. A Justiça condenou os réus ao pagamento de multa correspondente a duas vezes o valor da respectiva remuneração (em fevereiro de 2022 para Kalil e em junho de 2022 para Marcelo) e os proibiu de contratar com o poder público ou receber benefícios fiscais por dois anos.

Reações

Em nota, Kalil classificou a decisão como uma aberração que vai cair rapidinho. Ele destacou que suas contas de prefeito foram aprovadas pelo Tribunal de Contas com destaque para a boa gestão e investimentos em saúde e educação. O g1 tenta contato com a defesa de Marcelo Amarante Guimarães.

A condenação, monocrática e em primeira instância, não impede a pré-candidatura de Kalil ao governo de Minas Gerais, pois não envolve lesão ao erário nem enriquecimento ilícito, critérios previstos na Lei da Ficha Limpa.

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