Quatro brasileiros estão entre os pelo menos 211 ativistas que integravam uma flotilha internacional com destino à Faixa de Gaza, interceptada por Israel em águas internacionais próximas à costa da Grécia, conforme informaram os organizadores da iniciativa nesta quinta-feira, 29. O grupo, que navegava a bordo de mais de 20 embarcações, pretendia levar ajuda humanitária ao território palestino.
Ativistas brasileiros detidos
Entre os brasileiros detidos está o ativista Thiago Ávila, que já havia sido preso por forças israelenses em duas ações anteriores semelhantes. Em uma dessas ocasiões, familiares relataram maus-tratos, incluindo ameaças e isolamento. Na viagem mais recente, segundo a organização, Ávila fazia parte do comitê diretor internacional da flotilha. Também integram o grupo Amanda Coelho Marzall, conhecida como Mandi Coelho, militante do PSTU e pré-candidata a deputada federal por São Paulo; Leandro Lanfredi de Andrade, petroleiro e diretor sindical; e Thainara Rogério.
Destino dos detidos
Os organizadores foram informados de que os brasileiros estavam sendo transportados em um navio da Marinha israelense para o porto de Ashdod, no sul de Israel. No entanto, o governo israelense afirmou que eles serão levados à Grécia.
Detalhes da interceptação
Hélène Coron, representante da seção francesa da Global Sumud, informou que ao menos 211 ativistas foram detidos, número superior aos 175 inicialmente indicados pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel. Segundo o grupo, agentes israelenses apontaram armas de assalto para os tripulantes e ordenaram que se deslocassem para a parte dianteira das embarcações. Coron afirmou que a operação ocorreu perto da Ilha de Creta, a uma distância “sem precedentes” de Israel.
O Ministério das Relações Exteriores israelense classificou a flotilha como “de propaganda” e alegou ter encontrado “preservativos e drogas” a bordo, afirmação contestada pelo porta-voz do grupo, que a classificou como “desinformação”.
Antecedentes e condenação internacional
Dois comboios internacionais anteriores, com ativistas como Greta Thunberg e figuras latino-americanas, incluindo Thiago Ávila, foram interceptados pela Marinha israelense em 2025. A abordagem foi considerada ilegal pelos organizadores e pela Anistia Internacional, gerando condenações internacionais. As autoridades israelenses controlam todos os pontos de entrada em Gaza e são acusadas de impedir a entrada de bens, resultando em grave escassez desde o início da guerra em outubro de 2023.
Relatório da MSF
Um relatório da Médicos Sem Fronteiras (MSF) acusa Israel de usar “a privação deliberada de água” como arma contra a população palestina, em paralelo à destruição de instalações de saúde, casas e deslocamentos forçados. Especialistas da ONU afirmam que negar água viola o Direito Internacional Humanitário e constitui crime de guerra.
Crise humanitária e reconstrução
As Nações Unidas e a União Europeia estimam que serão necessários US$ 71,4 bilhões para reconstruir Gaza na próxima década. O levantamento aponta danos diretos de US$ 35,2 bilhões e perdas econômicas de US$ 22,7 bilhões. Mais de 371 mil residências foram danificadas, quase todas as escolas palestinas foram destruídas, mais da metade dos hospitais está fora de funcionamento e a economia sofreu retração de 84%. Cerca de 1,9 milhão de pessoas foram deslocadas. Segundo fontes médicas, ao menos 72.000 palestinos morreram e 172.000 ficaram feridos desde 7 de outubro de 2023.



