Doméstica grávida perde 50% da audição após agressão da ex-patroa no MA
Doméstica perde audição após agressão da ex-patroa no MA

A empregada doméstica Samara Regina, de 19 anos, revelou em um vídeo publicado nas redes sociais nesta quinta-feira (14) que perdeu 50% da audição nos dois ouvidos após ser agredida e torturada pela ex-patroa, Carolina Sthela, em Paço do Lumiar, na Grande São Luís, Maranhão. Grávida de seis meses, ela procurou atendimento médico após sentir dor e desconforto nos ouvidos.

“Como consequência das agressões, eu estava ouvindo muito baixo, mas não achei que fosse algo tão sério. Comecei a sentir muita dor ao dormir ou com barulho alto, então resolvi fazer uma consulta”, relatou a jovem. Ela afirmou que o diagnóstico ainda não é definitivo, mas os exames indicam perda auditiva bilateral de 50%. Samara disse que, em alguns momentos, tem dificuldade para ouvir e até para perceber a própria voz, o que a assustou e desesperou inicialmente. “Agora tento manter a calma, pois tudo que sinto, o Arthur (o bebê) sente”, completou.

A jovem fará uma nova consulta na próxima semana e espera que não seja necessário usar aparelho auditivo. Na última semana, o governador do Maranhão, Carlos Brandão, anunciou que Samara será contratada pelo governo estadual como recepcionista e receberá assistência e auxílios. A Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal aprovou requerimento da senadora Eliziane Gama (PT-MA) para acompanhar o caso, com previsão de diligência no município para monitorar as investigações da Polícia Civil.

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Detalhes das agressões e investigações

Carolina Sthela está presa desde sexta-feira (8) no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís. O policial militar Michael Bruno Lopes Santos, acusado de participar das agressões, está detido no Comando Geral da Polícia Militar. Ambos são investigados por tentativa de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima), tortura, cárcere privado, injúria, calúnia e difamação. Carolina afirmou à polícia que o anel citado no caso estava avaliado em R$ 5 mil e que está grávida de três meses, além de ter problemas de saúde.

As agressões ocorreram em 17 de abril, na casa onde Samara trabalhava, em Paço do Lumiar. Segundo a vítima, ela sofreu puxões de cabelo, socos e murros, sendo derrubada no chão. Durante as agressões, tentou proteger a barriga por estar grávida. A ex-patroa a acusou de roubar um anel, que foi encontrado em um cesto de roupas sujas. Mesmo após a descoberta, as agressões continuaram, e Samara foi ameaçada de morte se denunciasse o caso. A OAB classificou o caso como tortura agravada, lesão corporal, ameaça e calúnia.

Defesa alega transtornos mentais

O advogado de Carolina Sthela, Otoniel D’Oliveira Chagas, afirmou que a empresária pode ter distúrbios psicológicos, como borderline ou dupla personalidade. A mudança na estratégia ocorre após laudos do Instituto de Criminalística confirmarem que áudios com confissões das agressões são da empresária. A polícia aguarda perícia em um DVR apreendido na residência, que pode conter imagens das agressões. O marido de Carolina, Yuri Silva do Nascimento, foi ouvido e liberado. A empresária responde a mais de dez processos, incluindo uma condenação em 2024 por calúnia contra uma ex-babá, com pena de seis meses em regime aberto e indenização de R$ 4 mil.

Condições de trabalho e investigação policial

Samara recebeu R$ 750 por pouco mais de duas semanas de trabalho, com jornada de quase 10 horas diárias, de segunda a sábado, com apenas 30 minutos de intervalo. Ela acumulava funções de limpeza, cozinha, lavagem e passar roupa, além de cuidar de uma criança de seis anos. O pagamento foi fracionado e feito por terceiros. A jovem começou a trabalhar sem salário combinado, com o objetivo de comprar o enxoval do bebê.

Quatro policiais militares que atenderam a ocorrência – sargento Cerqueira, cabo Henrique e soldados De Sá e Yuri – estão sob investigação administrativa e foram afastados das funções. Imagens de câmeras de segurança mostram o sargento entrando na casa. Em áudios, Carolina afirma que um policial a orientou a não confessar as agressões. A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão abriu investigação para apurar a conduta dos agentes.

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