Um homem de 45 anos foi preso após esfaquear duas pessoas em Golders Green, um bairro com alta concentração de população judaica no noroeste de Londres, nesta quarta-feira (29). O incidente foi classificado como terrorista pela polícia britânica, que usou um taser para imobilizar o suspeito.
Detalhes do ataque
As duas vítimas, uma na faixa dos 70 anos e outra na casa dos 30, foram socorridas e estão em condição estável no hospital. O chefe da Polícia Metropolitana de Londres, Mark Rowley, afirmou em entrevista coletiva que o suspeito tem histórico de violência grave e problemas de saúde mental. A identidade do homem não foi divulgada.
Rowley descreveu o ataque como um "ato horrendo de violência" direcionado contra a comunidade judaica. A polícia considera "todos os possíveis motivos" na investigação.
Reações das autoridades
O prefeito de Londres, Sadiq Khan, condenou o ataque e agradeceu aos serviços de emergência e voluntários. "A comunidade judaica de Londres tem sido alvo de uma série de ataques antissemitas chocantes. Não pode haver absolutamente nenhum espaço para o antissemitismo na sociedade", declarou Khan.
O primeiro-ministro Keir Starmer disse que o incidente é "profundamente preocupante" e convocou uma reunião de emergência com membros do gabinete. "Todos nós precisamos fazer tudo o que pudermos para apoiar essa investigação e ser absolutamente claros em nossa determinação de lidar com qualquer um desses crimes", afirmou Starmer.
Contexto de aumento do antissemitismo
O presidente de Israel, Isaac Herzog, que estava em Londres no momento do ataque, pediu ação imediata contra o antissemitismo. "O ódio pode começar com os judeus, mas nunca termina com os judeus", escreveu nas redes sociais.
As duas vítimas estão sendo atendidas pela Hatzola, uma ONG judaica de serviço médico voluntário. Em março, a mesma organização teve quatro ambulâncias incendiadas, também em Golders Green, resultando na prisão de três homens.
No último mês, a polícia londrina prendeu mais de duas dúzias de pessoas por suspeita de participação em ataques a estabelecimentos ligados à comunidade judaica, incluindo tentativas de incendiar sinagogas. A polícia investiga possíveis ligações iranianas com alguns incidentes, e o grupo pró-Irã Harakat Ashab al-Yamin al-Islamiyya reivindicou alguns ataques recentes.
Autoridades alertaram que o Irã tem buscado usar intermediários criminosos para realizar atividades hostis no Reino Unido. O aumento de ataques antissemitas na Grã-Bretanha desde o ataque do Hamas a Israel em outubro de 2023 tem sido significativo. O incidente antissemita mais grave de 2025 foi o ataque em Manchester, que matou dois fiéis judeus durante o Yom Kippur.



