Engenheiro preso liderava esquema interestadual de armas fabricadas em impressoras 3D
O engenheiro Lucas Alexandre Flaneto de Queiroz, de 26 anos, foi preso nesta quarta-feira, 12 de março de 2026, acusado de liderar um sofisticado esquema interestadual de venda de armas fabricadas com impressoras 3D. Conhecido pelo pseudônimo Zé Carioca, o suspeito foi detido no âmbito da Operação Shadowgun, deflagrada pela Polícia Civil em conjunto com o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado.
Esquema criminoso desvendado
Segundo investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro, Queiroz era o cérebro por trás de uma organização criminosa voltada para a produção e comercialização de material bélico impresso em 3D. O grupo atuava principalmente na dark web e em fóruns especializados, utilizando o slogan "Testado nos EUA, projetado no Brasil e feito na sua casa" para atrair clientes.
"Apesar dos esforços de Zé Carioca para manter-se anônimo fora do ambiente virtual, a investigação revelou não apenas sua verdadeira identidade, mas também o esquema ilegal que ele liderava", informou o MPRJ em nota oficial.
Alcance nacional da operação
A Operação Shadowgun resultou em:
- Cinco prisões em flagrante
- 32 mandados de busca e apreensão cumpridos
- Ações em 11 estados brasileiros: Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina e São Paulo
Entre os presos está Gianluca Bianchi, cujo pai possui empresa especializada em ferragens que, segundo o Ministério Público, estaria sendo usada para desenvolver partes metálicas necessárias para o funcionamento do armamento 3D.
Manual detalhado e manifesto ideológico
Investigadores descobriram que Zé Carioca divulgou um manual de mais de 100 páginas que descrevia "detalhadamente todas as etapas necessárias para a fabricação da arma". O documento permitia que qualquer pessoa com conhecimentos intermediários em impressão 3D produzisse armamentos em poucas semanas utilizando equipamentos de baixo custo.
O material, amplamente disseminado, também continha um manifesto ideológico defendendo o porte irrestrito de armas e instruções sobre o uso de criptomoedas para financiar a organização criminosa.
Vendas para criminosos em todo o país
A quadrilha fabricava principalmente:
- Armas semiautomáticas
- Carregadores alongados de pistolas de diversos calibres
Entre 2021 e 2022, o grupo efetuou vendas para 79 compradores espalhados por 11 estados brasileiros. A Polícia Civil identificou que a maioria dos clientes tinha antecedentes criminais por tráfico de drogas e outros delitos graves.
"As investigações identificaram que, nos anos seguintes, ele (Queiroz) passou a negociar com os compradores por meio de outros canais e plataformas", afirmou a corporação policial.
Destino das armas e investigações
A 32ª DP (Taquara) investiga o destino final das armas apreendidas, com fortes indícios de que os armamentos foram adquiridos por:
- Organizações de tráfico de drogas
- Grupos milicianos
Um dos compradores identificados já está preso por porte de "grande quantidade de armas e munições", segundo informações da Polícia Civil.
Processos judiciais
Os denunciados responderão pelos seguintes crimes:
- Organização criminosa
- Lavagem de dinheiro
- Comércio ilegal de arma de fogo
A competência para julgar o caso foi estabelecida no Rio de Janeiro, estado com o maior número de compradores identificados durante as investigações. As autoridades continuam trabalhando para desmantelar completamente a rede criminosa e identificar todos os envolvidos no esquema.



