Novo ministro da Justiça anuncia combate ao crime organizado como 'ação de Estado'
Wellington César Lima e Silva anuncia combate ao crime como ação de Estado

O novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, realizou seu primeiro pronunciamento oficial nesta quinta-feira (15) e estabeleceu uma nova diretriz para o enfrentamento da criminalidade no país. Em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, ele declarou que o combate ao crime organizado será elevado ao status de "ação de Estado", marcando uma mudança de estratégia na segurança pública.

O que significa "ação de Estado" no combate ao crime?

Segundo o ministro, a iniciativa tem um objetivo prático e claro: integrar de forma mais efetiva outros segmentos do Estado na luta contra o crime organizado. Ministério Público e Poder Judiciário são citados como peças fundamentais nesta nova abordagem. A ideia é criar uma atuação conjunta e articulada entre os órgãos.

"Houve decisão de elevar o status de ação do estado ao crime organizado. Tem a necessidade de atuação conjunta dos órgãos de Estado, numa ação articulada", afirmou Lima e Silva. Ele destacou que, embora a Receita Federal e a Polícia Federal já atuem na área, é crucial que instituições como o MP e o Judiciário estejam em plena sintonia com essa frente de trabalho.

Reunião no Planalto e histórico do ministro

O anúncio foi feito após uma reunião matinal com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras autoridades de peso, como o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O encontro, que tratou especificamente do tema, reacendeu o debate sobre a possível divisão do Ministério da Justiça e Segurança Pública, com setores pressionando pela criação de um Ministério da Segurança Pública autônomo.

Wellington César Lima e Silva não é um novato na pasta. Ele já havia ocupado, por um breve período, o cargo de ministro da Justiça no governo de Dilma Rousseff. Recentemente, foi secretário de Assuntos Jurídicos da Presidência da República (2023 a julho de 2024) e, depois, assumiu a advocacia-geral da Petrobras.

Sua trajetória inclui uma passagem como procurador-geral de Justiça da Bahia, indicado pelo então governador Jaques Wagner, onde teve atuação destacada no combate ao crime organizado. Com formação sólida, é mestre em Direito Penal e Criminologia e concluiu créditos de doutorado na mesma área na Espanha, além de ter experiência como professor universitário.

Posse e próximos passos

A expectativa é que o novo ministro tome posse em uma cerimônia reservada ainda nesta quinta-feira. O Planalto confirmou a informação e informou que o ex-ministro Ricardo Lewandowski, que deixou o cargo na semana passada, estará presente no evento.

Em suas declarações, Lima e Silva foi enfático sobre a necessidade de colaboração: "Isso deve envolver a participação direta do MP [Ministério Público], teremos ações do CNJ [Conselho Nacional de Justiça], para que a institucionalidade brasileira possa elevar o combate ao crime organizado. Para ter grau de eficácia precisa de colaboração de todos".

A declaração do novo ministro sinaliza um esforço para unificar e potencializar as ações estatais contra o crime organizado, buscando uma resposta mais coordenada e institucional a um dos principais desafios de segurança do país.