Operação prende vereador e 6 PMs por ligação com Comando Vermelho no Rio
Vereador e 6 PMs presos em operação contra Comando Vermelho

Operação Contenção Red Legacy prende vereador e policiais militares

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta quarta-feira (11) uma operação de grande porte contra a estrutura nacional do Comando Vermelho, resultando na prisão de sete indivíduos, incluindo um vereador e seis policiais militares. A ação, batizada de Operação Contenção Red Legacy, cumpriu treze mandados de prisão e buscou desarticular conexões entre agentes públicos e a facção criminosa.

Prisão do vereador Salvino Oliveira mantida pela Justiça

Em audiência de custódia realizada nesta quinta-feira (12), o juiz Otávio Hueb Festa manteve a prisão temporária do vereador carioca Salvino Oliveira, filiado ao PSD. A decisão judicial considerou que o mandado de prisão estava dentro da validade legal e que não houve irregularidades no procedimento policial. O parlamentar foi detido durante as operações da delegacia especializada.

O delegado Vinicius Miranda, titular da Delegacia de Combate ao Crime Organizado do Departamento de Combate à Lavagem de Dinheiro, explicou que a prisão de Salvino foi solicitada após a descoberta de uma série de indícios que conectariam o vereador ao Comando Vermelho. "Esses indícios foram apresentados na Justiça, que entendeu que havia prisão temporária para que se buscasse até mais elementos, mais provas", afirmou Miranda durante coletiva de imprensa.

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Acusações de interferência política em áreas dominadas pelo tráfico

Segundo documentos da investigação, a Polícia Civil identificou tentativas de interferência política em territórios controlados pelo tráfico, com o objetivo de transformar essas áreas em bases eleitorais. As apurações indicam que o vereador Salvino Oliveira teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, para obter autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, região sob domínio do Comando Vermelho.

Entre as evidências apresentadas está uma conversa interceptada no WhatsApp, onde um indivíduo identificado como Dom pergunta a Doca sobre a autorização para Salvino "trabalhar" na comunidade. A mensagem diz: "Chefe, acabou de me ligar o Landerson, sobrinho da Tia Márcia, falando que o Pé e você autorizaram o Salvino a trabalhar e que é para eu dar suporte e ajudar nos projetos dele. Procede?".

Contrapartidas e articulação de benefícios

De acordo com as investigações, em troca da permissão para atuar na Gardênia Azul, o vereador teria articulado benefícios para o grupo criminoso, apresentados publicamente como ações sociais para moradores. O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, revelou que Salvino se comunicava com a liderança da facção através de Dom, que atuava como "síndico" da associação local.

Curi afirmou que o parlamentar teria atuado para liberar parte dos aproximadamente cem quiosques construídos na comunidade, sendo que cerca de cinquenta teriam sido definidos por integrantes da facção sem processo público transparente. "Foram construídos alguns quiosques, cerca de 100, se não me engano, e metade desses quiosques, 50 desses quiosques, teve um processo completamente publicizado", explicou o secretário.

Repercussão política e negações

O caso gerou intensa repercussão no cenário político carioca. O governador Cláudio Castro classificou Salvino como "braço direito do Comando Vermelho dentro da Prefeitura do Rio" em suas redes sociais. Já o prefeito Eduardo Paes, em vídeo publicado após a prisão, afirmou que "vou ser o primeiro a cobrar punição e exigir que a Justiça seja feita" caso as suspeitas sejam confirmadas.

O vereador Salvino Oliveira negou veementemente todas as acusações: "Estou sendo vítima de uma briga política que não é minha", declarou. Ele afirmou não ter ligação com o traficante Doca, nem envolvimento com a instalação dos quiosques, e disse não conhecer o sobrinho do traficante Marcinho VP.

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Estrutura familiar do Comando Vermelho sob investigação

A operação também mirou a estrutura familiar ligada a Marcinho VP, considerado pela polícia como integrante do "conselho federal permanente" do Comando Vermelho, mesmo após quase três décadas no sistema prisional. Entre os alvos estão:

  • Márcia Gama dos Santos Nepomuceno: esposa de Marcinho VP e considerada foragida, acusada de intermediar interesses do grupo fora do sistema prisional
  • Landerson Lucas dos Santos: sobrinho de Marcinho VP, apontado como elo entre lideranças da facção e atividades econômicas exploradas pela organização

A defesa de Márcia Nepomuceno emitiu nota afirmando que as acusações são infundadas e sem comprovação, destacando que ela já havia sido absolvida pela Justiça em operação anterior.

Perfil do vereador e posicionamento institucional

Salvino Oliveira tem 29 anos, nasceu na Cidade de Deus e possui trajetória de superação pessoal. Formado em Gestão Pública pela UFRJ, foi eleito vereador pelo PSD com mais de 27 mil votos e está em seu primeiro mandato. Seu projeto mais conhecido é a regulação do aluguel por temporada na cidade do Rio de Janeiro.

A Câmara de Vereadores do Rio emitiu nota oficial afirmando que "acompanha o desenrolar dos fatos e se coloca à disposição das autoridades competentes para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários". A instituição reafirmou sua confiança no trabalho das autoridades e no devido processo legal.

Os investigadores seguem analisando documentos e o celular apreendido durante as buscas, que podem trazer novos detalhes sobre a relação do vereador com a organização criminosa. A operação representa mais um capítulo no combate às conexões entre política e crime organizado no estado do Rio de Janeiro.