Trio é preso após sacar R$ 500 mil em Belém; PF investiga lavagem de dinheiro
Trio preso ao sacar R$ 500 mil em Belém; PF investiga

Trio é preso após sacar R$ 500 mil em Belém; PF investiga lavagem de dinheiro

Uma operação da Polícia Federal resultou na prisão em flagrante de três homens após um saque suspeito de R$ 500 mil em espécie em uma agência do Banco do Brasil, localizada na avenida Conselheiro Furtado, no bairro de Batista Campos, em Belém. As investigações indicam fortes indícios de lavagem de dinheiro, possivelmente ligada a contratos milionários com a Fundação Cultural do Pará (FCP).

Confronto durante a abordagem

Durante a tentativa de fuga dos suspeitos, houve uma troca de tiros com os agentes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco). Embora não tenham sido registrados feridos na abordagem, o confronto incluiu disparos de advertência da PF para conter o condutor do veículo, que chegou a apontar uma pistola contra os policiais federais.

Os agentes apreenderam a mochila contendo o dinheiro, uma pistola Glock 19, cinco celulares e um veículo Land Rover. Perícias técnicas foram solicitadas para análise dos materiais, e o caso está atualmente sob sigilo de justiça, conforme determinação legal.

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Detalhes da ação suspeita

Por volta das 15h30 da última segunda-feira (16), um homem identificado como Ronnaldy Rian Moreira Gomes realizou o saque exato de R$ 500 mil em espécie de uma conta corrente da empresa Solucione Produções Comércio de Livros e Serviços Ltda. Segundo relatório da PF, a justificativa apresentada para o saque era "pagamentos a bandas e fornecedores", o que seria incompatível com a renda declarada de Ronnaldy e o ramo de atividade da empresa, especializada no comércio varejista de livros.

Ao deixar a agência bancária com o dinheiro em uma mochila, Ronnaldy dirigiu-se a um veículo blindado estacionado nas proximidades. O automóvel estava registrado em nome de Joedson Assunção Ribeiro, funcionário de Felipe Linhares Paes, sendo utilizado supostamente como "laranja" para ocultação patrimonial. No interior do veículo, Felipe Linhares Paes assumia a direção, enquanto Michel Silva Ribeiro ocupava a posição de passageiro.

Quem são os investigados

O relatório da Polícia Federal detalha os perfis dos três suspeitos envolvidos na operação:

  • Ronnaldy Rian Moreira Gomes: operador de dobradeira em uma gráfica, apontado como "laranja" de Felipe desde outubro de 2025. Ele recebia R$ 3.000 mensais para figurar como sócio formal da empresa Solucione. Em depoimento, declarou que esta foi "a primeira vez" que participou de uma operação de saque dessa magnitude.
  • Felipe Linhares Paes: empresário investigado por utilizar veículos e empresas ocultadas através de laranjas. Durante a abordagem, tentou fugir avançando o veículo contra os policiais, desobedecendo aos comandos de parada.
  • Michel Silva Ribeiro: jornalista com cargo comissionado DAS nível 2 na Casa Civil do Pará, atuando como assessor parlamentar há 15 anos. Em seu depoimento, afirmou estar em uma "reunião casual sobre produção de livros didáticos" e que pegou carona ao banco sem conhecimento prévio sobre o saque ou a presença da arma. Ele negou qualquer envolvimento com contratos entre a empresa Solucione e a FCP.

Suspensões de lavagem, corrupção e contratos

As investigações tiveram como base um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que indicava que a empresa Solucione recebeu valores de indivíduos investigados por tráfico e lavagem de dinheiro. A apuração também revelou uma suposta rede de pessoas jurídicas interligadas por um procurador comum, sendo titulares de contas bancárias sem capacidade econômica correspondente.

Segundo o relatório da PF, os crimes em investigação incluem lavagem de dinheiro, associação criminosa, corrupção, resistência à prisão e porte ilegal de arma de fogo. Os três presos foram encaminhados para a Central de Triagem Masculina da Marambaia, onde realizaram exames de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML).

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O relatório completo da Polícia Federal foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), à Justiça Federal e à Defensoria Pública para as devidas providências legais. A reportagem tentou contato com a defesa dos envolvidos e aguarda posicionamento da Fundação Cultural do Pará, que ainda não se manifestou até o fechamento desta edição.