STJ mantém contraventor Rogério Andrade em presídio federal após negar habeas corpus
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um pedido de habeas corpus e determinou a manutenção do contraventor Rogério Andrade no Presídio Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, que é uma unidade de segurança máxima. A decisão foi assinada no domingo (12) e representa mais um capítulo na longa batalha judicial envolvendo o conhecido bicheiro.
Detenção e pedidos de liberdade
Rogério Andrade está preso desde novembro de 2024, após ser detido acusado de ordenar o assassinato do rival Fernando Iggnácio. Os advogados do contraventor haviam ingressado com um habeas corpus contra o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) imposto a seu cliente, mas a Justiça indeferiu o pedido.
Este não foi o primeiro recurso do tipo: um pedido similar já havia sido feito em janeiro e também foi negado. O juízo destacou que a medida é proporcional e necessária para resguardar a segurança pública, considerando a gravidade dos crimes imputados e a periculosidade do acusado.
Contexto histórico do conflito
A disputa entre Rogério Andrade e Fernando Iggnácio tem raízes profundas na história da contravenção carioca. Rogério é sobrinho de Castor de Andrade, um dos nomes mais conhecidos do jogo do bicho no Rio de Janeiro. Com a morte do tio em 1997, não herdou imediatamente o espólio da contravenção.
A administração do império ficou a cargo de Paulo Roberto de Andrade (Paulinho), filho de Castor, e de Fernando Iggnácio, genro do chefão. Na divisão, Iggnácio assumiu os caça-níqueis, enquanto Paulinho ficou com as bancas do bicho.
Rogério, porém, considerava ter direito à herança e passou a disputar território com ambos. Paulinho foi assassinado em 1998, crime atribuído a Rogério, que então assumiu o negócio do primo e começou a avançar sobre o domínio de Iggnácio.
Violência e investigações
Investigações da Polícia Federal revelam que a disputa entre Rogério Andrade e Fernando Iggnácio entre 1999 e 2007 resultou em aproximadamente 50 mortes. Entre as vítimas estavam policiais acusados de prestar serviços para os contraventores.
O ápice do conflito ocorreu em 10 de novembro de 2020, quando Fernando Iggnácio foi executado em uma emboscada no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro. Ele havia acabado de desembarcar de um helicóptero vindo de Angra dos Reis e foi alvejado com tiros de fuzil 556 ao caminhar até seu carro.
Atuação do Ministério Público
Em novembro de 2025, o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio de Janeiro (Gaeco/MPRJ) já havia obtido na Justiça a manutenção do bicheiro no presídio federal. Os promotores recorreram de uma decisão da 8ª Câmara Criminal que suspendeu o RDD de Rogério, o que abria a possibilidade de seu retorno ao Rio.
A TV Globo tenta contato com a defesa do contraventor para obter posicionamento sobre a mais recente decisão do STJ. A manutenção de Rogério Andrade no regime de segurança máxima reflete a preocupação das autoridades com sua periculosidade e o impacto de suas atividades no crime organizado brasileiro.



