Polícia Civil do Piauí busca alienação antecipada de bens em megaoperação contra o PCC
A Polícia Civil do Piauí anunciou que irá solicitar formalmente ao Poder Judiciário a alienação antecipada dos bens apreendidos durante a Operação Carbono Oculto 86, deflagrada em novembro de 2025. Entre os itens que poderão ser leiloados precocemente estão os 49 postos de combustível que foram interditados, além de dois aviões e quatro carros de luxo de alto valor. Paralelamente, cerca de R$ 5 milhões foram bloqueados nas contas bancárias dos investigados, como parte das medidas cautelares determinadas pela Justiça.
Esquema bilionário de lavagem de dinheiro desvendado
A operação investiga um complexo esquema de lavagem de dinheiro que movimentou aproximadamente R$ 5 bilhões, com fortes indícios de ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). As investigações se concentraram em postos de combustível de duas redes distintas, empresas de fachada e fundos de investimento localizados em cidades do Piauí, Maranhão e Tocantins. Segundo as autoridades policiais, os suspeitos utilizavam nomes de laranjas, constituíam fundos de investimento e operavam por meio de fintechs para realizar movimentações financeiras atípicas, dificultando a identificação dos verdadeiros beneficiários.
Departamento especializado e cooperação institucional
Em entrevista à TV Clube, o delegado-geral da Polícia Civil do Piauí, Luccy Keiko, revelou que a instituição criou, no ano passado, o Departamento de Recuperação de Ativos, uma pasta dedicada especificamente ao tratamento de bens apreendidos. "Temos em formatação um termo de cooperação com o Poder Judiciário e o Ministério Público para tratar justamente sobre a alienação de bens", afirmou Keiko. O delegado-geral destacou ainda que as delegacias costumam ficar "empilhadas" de veículos e outros bens apreendidos, necessitando de uma destinação adequada e célere.
Modus operandi e fraudes adicionais
As investigações apontam que o modus operandi identificado na Operação Carbono Oculto 86 é semelhante ao descoberto em uma operação homônima deflagrada em agosto, considerada a maior já realizada contra o crime organizado no Brasil. Além da lavagem de dinheiro, os postos de combustível envolvidos no esquema são acusados de vender combustível adulterado e cometer fraudes fiscais, deixando de pagar milhões de reais em impostos. A polícia também descobriu que o PCC estava construindo uma distribuidora de combustível na rodovia que liga Teresina a Altos, com o objetivo de abastecer outros estados.
Investigados e próximos passos
Entre os investigados estão os empresários Haran Santhiago Girão Sampaio e Danillo Coelho de Sousa. A Polícia Civil do Piauí está em fase final de tratativas com o Tribunal de Justiça para definir como os valores obtidos com a alienação dos bens serão distribuídos após a conclusão do processo. A medida busca não apenas desarticular financeiramente a organização criminosa, mas também agilizar a destinação dos ativos apreendidos, evitando a deterioração e os custos de manutenção.



