Operação da Polícia Civil da Paraíba desarticula rede de narcotráfico com mais de 40 mandados de prisão
A Polícia Civil da Paraíba iniciou, na manhã desta quarta-feira (26), uma operação de grande porte contra o narcotráfico, cumprindo mais de 40 mandados de prisão preventiva. A ação visa desmantelar uma organização criminosa investigada por fornecer drogas na Paraíba e em outros estados, com 32 ordens de prisão somente no território paraibano.
Abordagem abrangente e apoio interestadual
Além dos mandados de prisão, a operação inclui a execução de ordens de busca e apreensão e o bloqueio de valores em contas bancárias ligadas aos investigados. Com o apoio das polícias civis de São Paulo, Bahia e Mato Grosso, a ação se estende a esses estados, demonstrando a coordenação interjurisdicional no combate ao crime organizado.
Segundo a Polícia Civil, o objetivo é desarticular uma organização estruturada para o transporte, distribuição de entorpecentes e lavagem de dinheiro, com atuação concentrada na Paraíba e ramificações interestaduais.
Detenções e apreensões em diversas regiões
Na capital, João Pessoa, três pessoas foram presas até o momento—duas mulheres e um homem—durante o cumprimento de mandados nos bairros de Paratibe, Gramame e Mangabeira, na região Sul da cidade. Em Campina Grande, a Polícia Civil cumpriu três mandados de prisão no bairro Três Irmãs, contra dois homens e uma mulher.
Um dos alvos chegou à delegacia com a mão ensanguentada após quebrar o próprio celular no momento da abordagem, conforme relatado pela polícia. No município, foram apreendidos:
- Uma arma de fogo
- Duas motocicletas
- Dois carros de luxo
Além disso, uma das principais lideranças investigadas foi presa em Pombal, no Sertão. O homem, identificado como Jamilton Alves Franco, conhecido como “Chocô”, natural de Cajazeiras, mantinha conexões com um núcleo de liderança em São Paulo, segundo as investigações.
Estruturação da rede criminosa e investigações detalhadas
A polícia afirma que essas conexões permitiram a estruturação de uma rota de distribuição interestadual, com a Paraíba como um dos principais destinos da droga, além de regiões do Sertão de Pernambuco e do Ceará. A investigação teve início em meados de 2023, após uma sequência de apreensões de grandes carregamentos de drogas em diferentes áreas do estado.
A apuração revelou que a organização criminosa funcionava de forma estruturada, com divisão de tarefas e atuação em diferentes estados. O grupo era organizado em núcleos responsáveis por:
- Transporte das drogas
- Distribuição para o consumidor final
- Movimentação do dinheiro obtido com o tráfico
As drogas eram transportadas em carretas e veículos de apoio, muitas vezes misturadas a cargas lícitas. Na Paraíba, subnúcleos ficavam responsáveis pela distribuição do material. A polícia também identificou um núcleo financeiro dedicado à lavagem de dinheiro, que atuava na ocultação e movimentação dos valores por meio de empresas de fachada, aquisição de veículos e imóveis, e movimentações bancárias fracionadas.
Medidas judiciais para enfraquecer a organização
Para interromper o funcionamento da organização, a Justiça autorizou um conjunto de medidas que, segundo a Polícia Civil, têm como objetivo enfraquecer financeiramente o grupo. As determinações incluem:
- 44 mandados de prisão preventiva: 32 na Paraíba, 10 em São Paulo, 1 na Bahia e 1 no Mato Grosso
- 45 mandados de busca e apreensão
- Bloqueio de R$ 104.881.124,34 em contas bancárias ligadas a 199 investigados
- Sequestro de 13 imóveis
- Sequestro de 40 veículos, entre carros de luxo e frotas de transporte
A Polícia Civil informou que a operação busca atingir três frentes da organização: o transporte da droga, a distribuição no varejo e a estrutura financeira, visando um impacto significativo nas atividades criminosas.



