Capitão da PM, empresário e assistente presos por lavagem de dinheiro em Boa Vista
PM, empresário e assistente presos por lavagem em RR

A Justiça decretou, nesta sexta-feira (9), a prisão preventiva de um capitão da Polícia Militar, um empresário e sua assistente, presos em flagrante na quinta-feira (8) sob suspeita de integrar uma organização criminosa dedicada à lavagem de dinheiro em Boa Vista, Roraima.

Material apreendido e decisão judicial

Com os três suspeitos, foram apreendidos cerca de R$ 150 mil em dinheiro vivo, um rifle, uma pistola, munições, um veículo e três celulares. A decisão pela prisão preventiva foi assinada pelo juiz Jaime Plá Pujades de Avila, do Núcleo de Plantão Judicial e Audiências de Custódia.

O magistrado fundamentou sua decisão no poder econômico do que chamou de "líder do grupo" e na influência política demonstrada por fotos e contatos com parlamentares e gestores públicos encontrados nos aparelhos celulares. "A complexidade da rede de lavagem de capitais e o fundado receio de reiteração delitiva tornam a liberdade dos custodiados um risco real à higidez do sistema financeiro e ao erário público", citou o juiz em sua decisão.

Modus operandi e defesas

O juiz também destacou em seu despacho um modus operandi premeditado, que envolvia a utilização de empresas com características de "fachada" para a dissipação de valores ilícitos. As defesas dos três presos – o capitão da PM Marcos Holanda Farias, o empresário Clóvis Braz Pedra e a assistente Ana Clara Araujo Cruz de Oliveira – alegaram inicialmente não ter tido acesso aos documentos do Auto de Prisão em Flagrante (APF).

O juiz avaliou o pedido, mas concluiu que não houve irregularidades que justificassem a soltura, uma vez que os advogados acompanharam os depoimentos na polícia. Ainda assim, determinou que as defesas tivessem acesso completo ao conteúdo do APF. A defesa de Clóvis Braz Pedra alegou ainda que ele possui diversos problemas de saúde, inclusive sequelas de COVID-19. O juiz determinou que ele tenha pleno acesso a todos os medicamentos necessários.

Vínculo com o governo e posicionamento da PM

Um detalhe que chama atenção no caso é o vínculo institucional do policial militar preso. Marcos Holanda Farias é lotado na Casa Militar do Palácio do Governo, unidade responsável diretamente pela segurança do governador do estado.

Por meio de nota, a Polícia Militar de Roraima esclareceu que a ação decorre de investigação da Polícia Federal no estado (PF/RR) e que a corporação "não teve participação em nenhuma etapa que a motivou". A PM informou que sua Corregedoria-Geral acompanha o caso para adotar as providências administrativas cabíveis.

Após a abordagem, os três conduzidos foram levados para a sede da Polícia Federal em Roraima, onde foram ouvidos e autuados em flagrante pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa. O caso agora segue para aprofundamento das investigações no Juízo de Garantias.