Operação integrada prende suposto líder do jogo do bicho apontado como 'mais sanguinário'
O superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, delegado Fábio Galvão, classificou Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, como "o mais sanguinário dos capos do jogo do bicho". A declaração foi feita ao lado do secretário de Polícia Civil do estado, Felipe Curi, em vídeo divulgado pelas corporações nesta quinta-feira (26), após operação que resultou na prisão do suspeito de liderar a contravenção.
Detenção com uso de tecnologia e envolvimento policial
Adilson foi preso na Região dos Lagos, em uma casa em Cabo Frio, após ser monitorado por drone. Uma equipe pousou de helicóptero próximo à residência para efetuar a captura. Durante a ação, um policial militar, lotado na UPP do Complexo do Alemão, também foi preso. Segundo investigadores, ele estaria fazendo a segurança de Adilsinho.
Em nota, a corporação afirmou que "a Corregedoria-Geral da Corporação acompanha o caso e instaurará um Processo Administrativo Disciplinar (PAD)". O superintendente Galvão destacou que a proteção dada a Adilsinho por policiais corrompidos era o principal obstáculo para sua prisão. "Foi a terceira tentativa de prisão, muito dificultada pela proteção, sobretudo de policiais, de que goza principalmente a máfia do jogo do bicho. E hoje a gente conseguiu prender o mais sanguinário dos capos do jogo do bicho", declarou.
Investigação revela rede criminosa com múltiplas fontes de renda
A ação foi realizada no âmbito da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado, que reúne as polícias Civil e Federal. A investigação já havia levado ao fechamento de três fábricas clandestinas de cigarros, apontadas como uma das principais fontes de renda da estrutura criminosa, além da exploração de máquinas caça-níqueis e do próprio jogo do bicho.
Em uma das fábricas, em julho de 2024, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, seis paraguaios foram resgatados em situação análoga à escravidão. Em depoimento, eles relataram que receberam proposta para trabalhar na fabricação de cigarros em São Paulo, mas foram vendados e levados ao galpão. Além disso, foram proibidos de sair do local e vigiados por homem armado. Com a chegada da polícia, afirmaram que sequer sabiam que não estavam em São Paulo, retornando posteriormente ao país de origem.
Histórico criminal inclui múltiplos homicídios investigados
No vídeo divulgado, o secretário Felipe Curi listou crimes nos quais Adilsinho figura como investigado. Curi afirmou que já existem três mandados de prisão por homicídio expedidos contra o contraventor, incluindo investigações relacionadas à morte de Marco Antônio Figueiredo Martins, conhecido como Marquinho Catiri, além de outros casos ligados à organização criminosa.
Também mencionou a investigação sobre o assassinato do policial penal Bruno Killer, na qual Adilsinho já foi indiciado, segundo o secretário. Adicionalmente, citou envolvimento do acusado no assassinato de um advogado, em fevereiro de 2024, morto perto da sede da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).
A reportagem enviou as declarações para a defesa de Adilsinho por mensagem de Whatsapp, mas não obteve posicionamento. O advogado Ricardo Braga também não atendeu às ligações. No início de fevereiro, quando a Justiça expediu mandado de prisão por homicídio, o defensor disse que seu cliente desconhecia os fatos noticiados e que iria provar sua inocência.



