Apreensões de drogas em aeroportos batem recorde com mais de 3,5 toneladas
PF apreende mais de 3,5 toneladas de cocaína em aeroportos

A Polícia Federal registrou um aumento significativo nas apreensões de drogas nos aeroportos do Brasil neste ano. Os números de cocaína e maconha apreendidos já superaram o total de todo o ano passado, revelando uma intensificação tanto do tráfico quanto da fiscalização.

Operações de grande porte e método da 'formiguinha'

Uma das maiores apreensões ocorreu no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, no início do mês. Cães farejadores detectaram mais de 1 tonelada de cocaína escondida de forma engenhosa nos pés de mesas que seriam enviadas para Portugal e Espanha. A operação, considerada uma das maiores em um terminal de cargas do país, não resultou em prisões imediatas.

Contudo, os traficantes também apostam em uma estratégia de menor escala, conhecida como 'formiguinha'. A tática consiste em distribuir pequenas quantidades de drogas entre diversos passageiros, confiando na dificuldade de se inspecionar todas as bagagens. Dez dias após a grande apreensão em Belo Horizonte, no mesmo aeroporto, mas no terminal de passageiros, a PF encontrou mais de 3 kg de cocaína no fundo falso de uma mala. Uma mulher que tentava embarcar para Paris foi presa em flagrante.

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Inteligência e tecnologia no combate ao tráfico aéreo

Outros aeroportos também foram palco de operações bem-sucedidas. Em novembro, no Aeroporto Internacional de Brasília, quase 4 kg de cocaína foram identificados com um passageiro com destino à Inglaterra. Já no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, um brasileiro que chegava da Tailândia foi preso com 35 kg de skunk, uma variedade potente de maconha.

A Polícia Federal afirma que os resultados são frutos de investimentos em tecnologia, treinamento e inteligência. Os dados comprovam a eficácia: neste ano, os agentes apreenderam 23% mais cocaína em comparação com 2024, totalizando mais de 3,5 toneladas. No caso da maconha, o aumento foi ainda mais expressivo, de 72%, ultrapassando a marca de 3 toneladas apreendidas.

Investigação busca desmontar redes criminosas

Segundo o delegado Marcelo Xavier, chefe da delegacia de Repressão às Drogas da PF em Minas Gerais, o trabalho vai além da prisão do transportador isolado. "A partir daí se inicia uma investigação com fim de identificar toda a rede criminosa, desde os recrutadores até os principais líderes", explica. O objetivo é construir informações que retroalimentem as equipes de inteligência, permitindo a identificação de perfis usados no transporte de drogas.

A especialista em segurança pública Ludmila Ribeiro, professora da UFMG, analisa a lógica por trás do método da 'formiguinha'. "Tem a chance de você não ser sorteado por amostragem para uma inspeção rigorosa. O traficante está perdendo apenas uma mercadoria, enquanto várias outras podem passar", afirma, destacando que a droga apreendida em flagrante já chegou muito perto de seu destino final.

O cenário mostra um aumento constante no volume de drogas interceptadas nos aeroportos brasileiros, indicando tanto uma maior ousadia das organizações criminosas quanto um aprimoramento nas técnicas de combate pelas autoridades.

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