Operação contra tráfico no Tocantins deixa quatro mortos e seis presos
Operação no Tocantins: 4 mortos e 6 presos por tráfico

Operação policial no Tocantins resulta em confronto mortal e apreensões recordes

Uma intensa operação das forças de segurança no estado do Tocantins culminou em um violento confronto que deixou quatro suspeitos de tráfico internacional de drogas mortos e resultou na prisão de seis indivíduos. O episódio ocorreu na região sudeste do estado, entre os municípios de Paranã e São Salvador, no último domingo (22), marcando um capítulo significativo no combate ao crime organizado na região.

Inteligência policial e infiltração na mata

A ação foi fruto de um meticuloso trabalho de inteligência que se estendeu por vários dias. Agentes da Polícia Militar de Goiás permaneceram infiltrados na densa mata tocantinense por aproximadamente dez dias, enfrentando condições adversas que incluíam dormir em redes e suportar chuvas constantes. O objetivo era monitorar de perto a movimentação do grupo criminoso, que operava com sofisticação na região.

No local onde ocorreu o flagrante, os policiais descobriram uma estrutura clandestina composta por um galpão repleto de dezenas de galões de combustível. Buracos estrategicamente cavados no chão serviam para esconder grandes quantidades de drogas e abastecer aeronaves em voos de longa distância, revelando a complexidade da operação criminosa.

Confronto armado e fugitivos

Durante a tentativa de abordagem, eclodiu um intenso tiroteio entre os policiais e os suspeitos. Quatro indivíduos morreram no local do confronto, enquanto outros seis conseguiram escapar para a mata, aproveitando o terreno acidentado da região. Os corpos das vítimas foram transportados em uma caminhonete da Polícia Militar do Tocantins até o Instituto Médico Legal de Natividade, conforme registrado em vídeo obtido pela TV Anhanguera.

O cerco policial continua ativo nesta segunda-feira (23), com reforços da Polícia Militar tocantinense empenhados na busca por dois ou três fugitivos que ainda estariam escondidos na área. Até o momento da última atualização, os corpos dos mortos ainda não haviam sido formalmente identificados pelas autoridades.

Operação paralela em Dueré prende piloto com histórico criminal

Em uma operação paralela realizada na zona rural de Dueré, as forças de segurança prenderam em flagrante o piloto Max Jhonny Saraiva Silva Melo, que possui um extenso histórico criminal com passagens e condenações por roubo e crimes contra o sistema financeiro. A prisão ocorreu logo após o pouso de um monomotor modelo Cessna 210 em uma pista clandestina.

Segundo investigações da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), a aeronave teria decolado da fronteira com a Bolívia. No interior do avião, os agentes encontraram elementos que corroboram a tese do tráfico internacional: um adesivo da Bolívia, fardos de comida, um GPS com registros de rotas internacionais e, na mochila do piloto, porções de cocaína, folhas de coca e valores em moeda estrangeira, incluindo dólares, bolívares e pesos colombianos.

Um detalhe técnico foi crucial para confirmar a ligação de Max Jhonny com as atividades criminosas: seu aparelho celular conectou-se automaticamente à rede de internet via satélite instalada na aeronave, evidenciando seu vínculo operacional com a estrutura do tráfico.

Apreensões significativas e medidas legais

A ofensiva policial resultou na apreensão de duas aeronaves e meia tonelada de cocaína, um montante expressivo que demonstra a escala das operações criminosas desmanteladas. Max Jhonny passou por audiência de custódia e teve sua prisão convertida em preventiva, aguardando as próximas etapas do processo legal.

Em nota oficial, a defesa do piloto preso ressaltou que "os fatos ainda se encontram em fase inicial de apuração e não podem ser analisados sob a ótica meramente superficial das circunstâncias da prisão". A defesa afirmou ainda que está adotando todas as medidas legais cabíveis para o completo esclarecimento dos acontecimentos, expressando confiança no devido processo legal, no contraditório e na ampla defesa.

A operação conjunta evidencia os desafios enfrentados pelas forças de segurança no combate ao tráfico internacional de drogas em regiões de difícil acesso, onde grupos criminosos se aproveitam da geografia e da infraestrutura precária para desenvolver suas atividades ilícitas.