Operação Mordaça desarticula organização criminosa que controlava familiares de presos no Amapá
A Polícia Civil do Amapá realizou nesta sexta-feira, 23 de agosto, a primeira fase da Operação Mordaça, uma ação que investiga e desarticula um grupo criminoso acusado de criar a Associação de Familiares de Presos (ASADE) como fachada para atividades ilegais. O objetivo principal da organização era controlar parentes de detentos do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen), utilizando-os para pressionar a administração prisional.
Detalhes da operação e prisão
Durante a ação, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão na cidade de Macapá. Um homem, condenado por homicídio qualificado, lesão corporal grave e furto qualificado, foi preso. Ele estava foragido e tinha mais de 12 anos de pena a cumprir, sendo um dos alvos centrais da operação.
Estratégia criminosa e coerção
Segundo o delegado Estéfano Santos, a associação foi criada para mapear familiares de presos e obrigá-los a participar de protestos contra medidas de segurança adotadas no Iapen. Essas medidas incluíam restrição de visitas, controle de entrada de celulares e alimentos. A estratégia do grupo era pressionar a administração da penitenciária para flexibilizar as regras, com suporte logístico de facções criminosas, que forneciam transporte e alimentação.
O esquema era coordenado por nove mulheres e um homem, com uma delas liderando o grupo, distribuindo funções e ordenando punições. Quem se recusava a participar sofria represálias dentro da prisão, incluindo tortura, privação de alimentação e falta de higiene básica. Em alguns casos, mulheres de detentos foram proibidas de visitar seus companheiros, e aquelas que desobedeceram foram espancadas dentro do sistema prisional.
Início das investigações e materiais apreendidos
As investigações começaram há cerca de dois meses, após denúncias anônimas de ameaças ligadas à associação. Entre os materiais apreendidos durante a operação estão anotações sobre cobranças e organização interna do grupo, que fornecem evidências cruciais para o caso.
Coordenação e próximos passos
A operação foi coordenada pela Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), e novas fases devem ser realizadas para aprofundar as investigações e prender outros envolvidos. A ação marca um passo importante no combate ao crime organizado no estado do Amapá, destacando a vulnerabilidade de familiares de presos e a necessidade de medidas de proteção.